{"id":1707,"date":"2016-04-08T13:24:52","date_gmt":"2016-04-08T12:24:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.memoria-viva.fr\/?p=1707"},"modified":"2016-04-18T10:16:55","modified_gmt":"2016-04-18T09:16:55","slug":"o-caminho-da-liberdade-de-alvaro-morna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/?p=1707","title":{"rendered":"\u201cO Caminho da liberdade\u201d, de \u00c1lvaro Morna"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201c<span lang=\"pt-BR\">Levantei-me de madrugada, naquela manh\u00e3 de agosto, dia marcado para a partida. Queria assistir ao romper da manh\u00e3 do meu \u00faltimo dia em Lisboa. Ouvir os ru\u00eddos da cidade e o fervilhar das gentes nas ruas. O c\u00e9u, ainda de um azul-p\u00e1lido, ia arrecadando as estrelas mais renitentes. Dentro em breve tudo ficaria para tr\u00e1s, tudo se diluiria numa mem\u00f3ria, como nuvens dispersas pelo vento.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span lang=\"pt-BR\">\u00c9 assim que \u00c1lvaro Morna conta o primeiro dia da sua fuga e ex\u00edlio para a Fran\u00e7a, 10 de agosto de 1963, a fim de evitar a mobiliza\u00e7\u00e3o para a guerra colonial, uma guerra que ele achava est\u00fapida e desumana, como todas as guerras: \u201c<\/span><span lang=\"pt-PT\">Decidi nessa altura desertar. Antes tinha estado preso um ano, j\u00e1 por raz\u00f5es pol\u00edticas, numa pris\u00e3o militar em Penamacor\u201d.<\/span><span lang=\"pt-BR\"> Nascido no Porto em 1940, A. Morna passou a juventude em Leiria. Exilou-se e ap\u00f3s o 25 de Abril regressou a Portugal, mas acabou por voltar a Fran\u00e7a novamente, tendo iniciado a carreira de jornalista nos anos 80, na Radio France-Internacional. Foi ainda correspondente do Di\u00e1rio de Not\u00edcias, da Lusa e da R\u00e1dio Renascen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span lang=\"pt-BR\">Ao escrever \u201cO caminho da liberdade\u201d (ed. Gradiva, 2004), A. Morna quis deixar o seu testemunho vivido no tempo da ditadura. Uma ideia que germinava no seu esp\u00edrito h\u00e1 muito tempo, mas que uma doen\u00e7a grave veio acentuar a urg\u00eancia de o escrever. \u00c1lvaro Morna faleceu alguns meses depois, em maio de 2005, em Paris. No pref\u00e1cio, o autor escreve: \u201cAo contar, com todo o rigor, a minha hist\u00f3ria, foi para mim uma forma de contar tamb\u00e9m milhares de outras hist\u00f3rias vividas pelos jovens portugueses que recusaram partir para uma guerra que contrariava o curso da Hist\u00f3ria.\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span lang=\"pt-BR\">\u00c1lvaro Morna revela-se neste livro como um escritor de pleno direito, com uma grande for\u00e7a narrativa, evitando os efeitos liter\u00e1rios e o romanescos, mas n\u00e3o desprovido de emo\u00e7\u00f5es, de poesia e de humor, como ao contar a sua segunda noite em Paris, 24 de agosto, debaixo de uma das pontes do Sena, com <\/span><span lang=\"pt-PT\">uma grande folha do Le Figaro a servir-lhe de cobertor, a ele, militante comunista&#8230; <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\" align=\"right\">Dominique Stoenesco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cLevantei-me de madrugada, naquela manh\u00e3 de agosto, dia marcado para a partida. 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