{"id":535,"date":"2013-12-06T16:59:23","date_gmt":"2013-12-06T15:59:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.memoria-viva.fr\/wordpress\/?p=535"},"modified":"2014-01-13T14:33:09","modified_gmt":"2014-01-13T13:33:09","slug":"ines-espirito-santo-entre-trajectorias-profissionais-e-contextos-familiares-mulheres-portuguesas-em-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/?p=535","title":{"rendered":"<!--:pt-->In\u00eas Esp\u00edrito Santo Entre traject\u00f3rias profissionais e contextos familiares: mulheres portuguesas em Fran\u00e7a .   <!--:-->"},"content":{"rendered":"<p><!--:pt-->A emigra\u00e7\u00e3o portuguesa em massa com destino a Fran\u00e7a faz parte do passado. No entanto, continua a existir uma forte presen\u00e7a portuguesa em Fran\u00e7a associada ao grande fluxo migrat\u00f3rio dos anos sessenta e setenta. Por outro lado, n\u00e3o podemos descurar o facto que durante os \u00faltimos trinta anos a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para Fran\u00e7a nunca se extinguiu por completo. Apesar da varia\u00e7\u00e3o de ano para ano no n\u00famero de entradas, na d\u00e9cada de 1990 a 1999 entraram em Fran\u00e7a, segundo uma m\u00e9dia anual, cerca de 3712 portugueses (INSEE, 2001). O objecto de estudo deste artigo situa-se, portanto, no cruzamento de interesses de duas sociedades na medida em que a emigra\u00e7\u00e3o em Portugal e a imigra\u00e7\u00e3o portuguesa em Fran\u00e7a continuam de uma actualidade indubit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Neste contexto pareceu-nos importante, atrav\u00e9s deste artigo, esbo\u00e7ar um retrato panor\u00e2mico e extensivo da situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria desta popula\u00e7\u00e3o: emigrantes portugueses e imigrantes em Fran\u00e7a. Um retrato representativo da popula\u00e7\u00e3o portuguesa em Fran\u00e7a que possibilite, num primeiro momento, a identifica\u00e7\u00e3o dos principais tra\u00e7os desta popula\u00e7\u00e3o, e num segundo momento, a an\u00e1lise dos factores que influenciam as suas traject\u00f3rias migrat\u00f3rias e mecanismos de integra\u00e7\u00e3o social na sociedade de instala\u00e7\u00e3o. Opt\u00e1mos por focalizar o nosso interesse sobre as mulheres portuguesas em situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria, uma vez que a imagem da mulher migrante portuguesa no seio da sociedade francesa e portuguesa continua sujeita a m\u00faltiplas representa\u00e7\u00f5es err\u00f3neas. Os pr\u00f3prios estudos cient\u00edficos sobre as migra\u00e7\u00f5es privilegiaram durante muito tempo o \u00abneutro \u00a0masculino\u00a0\u00bb em detrimento de uma poss\u00edvel leitura de g\u00e9nero das migra\u00e7\u00f5es internacionais. Actualmente, a imagem das mulheres em situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria tem tend\u00eancia a transformar-se tanto nas ci\u00eancias sociais como no seio da opini\u00e3o p\u00fablica: elas s\u00e3o cada vez mais reconhecidas como actrizes sociais dos movimentos migrat\u00f3rios. Este \u00e9 o ponto de partida deste artigo.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Atalhos metodol\u00f3gicos<\/b><\/p>\n<p>Os dados do inqu\u00e9rito \u201c\u00c9tude de l\u2019Histoire Familiale\u201d (EHF) de 1999, emparelhado ao Recenseamento da Popula\u00e7\u00e3o (RP) em Fran\u00e7a de 1999 (INSEE\/INED<a title=\"\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>), s\u00e3o particularmente prop\u00edcios a este estudo. As informa\u00e7\u00f5es sobre as traject\u00f3rias individuais, recolhidas a partir de uma amostra representativa ao n\u00edvel nacional, permitir\u00e3o conhecer o panorama actual e diversificado da posi\u00e7\u00e3o que as mulheres emigrantes portuguesas em Fran\u00e7a ocupam, e deixar um tra\u00e7o explicativo sobre esse mesmo processo migrat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise emp\u00edrica incide sobretudo na explora\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria do inqu\u00e9rito EHF vers\u00e3o 1999<a title=\"\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>, cuja informa\u00e7\u00e3o se baseia essencialmente na evolu\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas familiares em Fran\u00e7a, fornecendo ao mesmo tempo informa\u00e7\u00f5es sobre as origens geogr\u00e1ficas, o percurso socio-profissional, as l\u00ednguas transmitidas aos filhos no seio da fam\u00edlia. Ou seja, este inqu\u00e9rito prop\u00f5e quest\u00f5es de car\u00e1cter biogr\u00e1fico e retrospectivo. No entanto, uma an\u00e1lise biogr\u00e1fica n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem recorrer \u00e0 fus\u00e3o realizada entre as informa\u00e7\u00f5es recolhidas pelo inqu\u00e9rito EHF e as informa\u00e7\u00f5es recolhidas dos mesmos indiv\u00edduos pelo RP. A fus\u00e3o destes dois ficheiros maximizou as possibilidades de estudo &#8211; \u201csurtout, elles fournissent les principales variables explicatives de l\u2019exploitation\u00a0: \u00e9tat matrimonial l\u00e9gal, lieu de r\u00e9sidence, niveau d\u2019\u00e9tudes et dipl\u00f4me, cat\u00e9gorie socioprofessionnelle \u00e0 quatre chiffres, indicateur de nationalit\u00e9, date d\u2019arriv\u00e9e en France pour les immigr\u00e9s (Cassan\u00a0<i>et al<\/i>, 2000\u00a0:30). Importa salientar, por outro lado, que em termos estat\u00edsticos este inqu\u00e9rito (EHF) \u00e9 fi\u00e1vel. O emparelhamento dos dados do EHF com o RP, al\u00e9m de fornecer informa\u00e7\u00f5es importantes, permite interrogar uma amostra de grande envergadura, amplificando a\u00a0<i>performance<\/i>\u00a0dos resultados.<\/p>\n<p>Os dados do inqu\u00e9rito EHF, tendo como amostra os indiv\u00edduos maiores de 18 anos, permite estudar as caracter\u00edsticas das traject\u00f3rias migrat\u00f3rias das mulheres portuguesas em Fran\u00e7a. Mas, um problema coloca-se a partir do momento que nos debru\u00e7amos sobre uma popula\u00e7\u00e3o estrangeira. Pelo facto do objecto de estudo deste artigo corresponder,\u00a0<i>grosso modo<\/i>, \u00e0s mulheres que empreenderam uma mobilidade \u201cinter-sistemas de ordem\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>, a nossa amostra \u00e9 constru\u00edda conforme a defini\u00e7\u00e3o institucionalizadada do\u00a0<i>Haut Conseil \u00e0 l\u2019Int\u00e9gration\u00a0<\/i>franc\u00eas. Este define como \u201cimmigr\u00e9e toute personne n\u00e9e \u00e9trang\u00e8re \u00e0 l\u2019\u00e9tranger qui vit en France, qu\u2019elle ait ou non acquis la nationalit\u00e9 fran\u00e7aise\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0 (<i>in\u00a0<\/i>Spire, 1999\u00a0: 54). Neste mesmo sentido, a nossa amostra ser\u00e1 conforme \u00e0 categoria de imigrantes definida pelo INSEE (1999), ou seja, todo e qualquer imigrante n\u00e3o \u00e9 necessariamente um estrangeiro, e reciprocamente. Entre os 380\u00a0000 indiv\u00edduos que preencheram o buletim EHF, contamos com 3499 adultos inquiridos nascidos em Portugal, entre os quais 1350 homens e 2149 mulheres. Este \u00faltimo efectivo, 2149 mulheres maiores de 18 anos nascidas em Portugal, ser\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o sobre a qual nos debru\u00e7aremos com maior acuidade.<\/p>\n<p><b>Migra\u00e7\u00f5es portuguesas no feminino<\/b><\/p>\n<p>A ideia que advoga que a hist\u00f3ria das migra\u00e7\u00f5es na Europa Ocidental foi concebida e constru\u00edda sobre a imagem do homem que parte \u00e0 procura de trabalho \u00e9 mais ou menos consensual entre os investigadores em ci\u00eancias sociais. Ou seja, esta imagem corresponde ao homem solteiro como for\u00e7a de trabalho barata (Golub\u00a0<i>et<\/i>\u00a0<i>al<\/i>, 1997\u00a0:19).<\/p>\n<p>Durante muito tempo, a mulher migrante foi vista apenas na perspectiva do reagrupamento familiar, tendo sido raramente considerada como actriz social da sua pr\u00f3pria mobilidade. Esta oculta\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o feminina nos estudos sobre as migra\u00e7\u00f5es em geral,\u00a0 pode estar associada, segundo Fran\u00e7oise Gaspard\u00a0(1998), a duas raz\u00f5es principais: primeiro, as Ci\u00eancias Sociais, nomeadamente a Hist\u00f3ria e a Sociologia, foram maioritariamente produzidas por homens ignorando frequentemente a dimens\u00e3o da diferencia\u00e7\u00e3o sexual; segundo, a oculta\u00e7\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es femininas pode estar relacionada com o preconceito persistente sobre a ilegitimidade das mulheres no mundo do trabalho assalariado (p.89). Destas duas raz\u00f5es ressalta a import\u00e2ncia de distinguir e n\u00e3o confundir dois aspectos: por um lado, a presen\u00e7a dos homens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres no contexto da migra\u00e7\u00e3o; e por outro, as representa\u00e7\u00f5es sobre as diferen\u00e7as de g\u00e9nero como fonte de invisibilidade das mulheres imigrantes.<\/p>\n<p>Para as elites portuguesas do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a partida maci\u00e7a de milhares de portugueses para o Brasil foi considerada como um grave problema para o pa\u00eds. Com o objectivo de controlar esta hemorragia e essencialmente para servir os interesses econ\u00f3micos de Portugal, uma nova imagem de emigra\u00e7\u00e3o vai ser criada entre as elites. A emigra\u00e7\u00e3o vai come\u00e7ar a representar um recurso econ\u00f3mico rent\u00e1vel para o pa\u00eds atrav\u00e9s das remessas enviadas pelos emigrantes. No entanto, para que esse ideal funcione foi necess\u00e1rio dificultar a partida das fam\u00edlias j\u00e1 constitu\u00eddas, pois \u201c\u00e9 [apenas] quando a fam\u00edlia do emigrante fica na p\u00e1tria que ele envia mais regularmente as suas economias\u201d (Monteiro, 1993\u00a0:9). De acordo com esta imagem, as leis portuguesas que incidiam sobre a emigra\u00e7\u00e3o v\u00e3o estabelecer durante muito tempo filtragens para fazer face, por um lado, \u00e0 decep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o diante a situa\u00e7\u00e3o social portuguesa, e por outro, \u00e0 necessidade das remessas enviadas do estrangeiro. Assim, no sentido de conservar a ordem no tecido social portugu\u00eas e assegurar o envio do dinheiro dos emigrantes, as autoridades portuguesas v\u00e3o permitir que os homens emigrem dificultando a sa\u00edda das mulheres e dos jovens.<\/p>\n<p>Este modelo vai prevalecer at\u00e9 aos anos sessenta, altura em que a reparti\u00e7\u00e3o do fluxo emigrat\u00f3rio segundo o sexo ainda se mostrava predominantemente masculina.\u00a0 N\u00e3o obstante, a emigra\u00e7\u00e3o das mulheres come\u00e7a a ser not\u00e1vel a partir destes mesmos anos e aumenta progressivamente, neste caso no que respeita \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o com destino a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Quadro 1. Reparti\u00e7\u00e3o dos portugueses em Fran\u00e7a segundo o sexo, 1975-1999<\/b><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"113\"><b>Portugueses em Fran\u00e7a<a title=\"\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\"><b>RP 1975<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0(efectivos)<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>RP 1982<\/b><\/p>\n<p><b>(efectivos)<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\"><b>RP 1990<\/b><\/p>\n<p><b>(efectivos)<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"100\"><b>RP 1999<\/b><\/p>\n<p><b>(efectivos)<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"113\">Conjunto<\/p>\n<p>(taxa de feminiza\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">758\u00a0925<\/p>\n<p>(46,2%)<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">764\u00a0860<\/p>\n<p>(47%)<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">503\u00a0300<\/p>\n<p>(46,5%)<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"100\">571 874<\/p>\n<p>(48,7%)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"113\">Mulheres<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">350 395<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">359 380<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">234 141<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"100\">278 402<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"113\">Homens<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">408 530<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">405 480<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">269 159<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"100\">293 472<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><b>Fonte\u00a0: INSEE (1984, 1992, 2001)<\/b><\/p>\n<p>Os valores de entradas de portugueses em Fran\u00e7a segundo o sexo, a partir dos anos sessenta, refutam a ideia un\u00edvoca e determinista segundo a qual este fluxo migrat\u00f3rio seria caracterizado pela sa\u00edda maci\u00e7a dos homens seguida das \u201csuas mulheres\u201d. J\u00e1 em 1975, a popula\u00e7\u00e3o portuguesa em Fran\u00e7a contava com um efectivo de 758\u00a0925 indiv\u00edduos, entre os quais 350\u00a0395 mulheres, o que representava em rela\u00e7\u00e3o a outras nacionalidades uma taxa de feminiza\u00e7\u00e3o muito elevada (46,2%). Em 1982, 47% da popula\u00e7\u00e3o portuguesa em Fran\u00e7a era do sexo feminino. Embora no recenseamento da popula\u00e7\u00e3o de 1990 essa taxa decres\u00e7a 0,5 pontos percentuais, no recenseamento da popula\u00e7\u00e3o de 1999 a tend\u00eancia de crescimento observada entre os anos 1975 e 1980 toma novo f\u00f4lego visto que a taxa de feminiza\u00e7\u00e3o se eleva a 48,7%, isto \u00e9 278\u00a0402 mulheres no total dos imigrantes portugueses em Fran\u00e7a (cf. quadro 1). Isto significa que a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa em massa com direc\u00e7\u00e3o a Fran\u00e7a era globalmente representada por um \u201cmodelo misto\u201d. Na esteira de v\u00e1rias investiga\u00e7\u00f5es (Peixoto, 1993; Volovitch-Tavares, 2001), os portugueses que emigraram em massa com destino a Fran\u00e7a nos anos 1960 conheceram uma emigra\u00e7\u00e3o de tipo familiar. Por\u00e9m, existe a tend\u00eancia de reduzir a \u201cmigra\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia\u201d ao reagrupamento familiar das mulheres e das suas crian\u00e7as ao marido ou pai j\u00e1 emigrados. Os dados do inqu\u00e9rito MGIS<a title=\"\" href=\"#_ftn7\">[7]<\/a>\u00a0realizado em 1992, mostram, por exemplo, que 8% dos homens portugueses casados chegaram a Fran\u00e7a posteriormente \u00e0 migra\u00e7\u00e3o das suas mulheres (Tribalat, 1996\u00a0:63). Outros chegaram directamente em fam\u00edlia (Peixoto\u00a0: 2000).<\/p>\n<p>A data de chegada a Fran\u00e7a revela-se nesta perspectiva um indicador importante na compreens\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de migra\u00e7\u00e3o. Os resultados do inqu\u00e9rito EHF retra\u00e7am bem, por um lado, a concentra\u00e7\u00e3o do fluxo migrat\u00f3rio numa quinzena de anos, isto \u00e9,\u00a0<i>grosso modo<\/i>, dos anos sessenta ao ano de 1975. Por outro lado, a an\u00e1lise dos dados demonstra um ligeiro desfasamento entre a chegada das mulheres portuguesas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dos homens, revelando-se muito fraco quando comparado com outras migra\u00e7\u00f5es como a da Arg\u00e9lia. Isto vem confirmar a ideia de que a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa com destino a Fran\u00e7a \u00e9 uma \u201cemigra\u00e7\u00e3o mista\u201d. O desejo de fugir ao servi\u00e7o militar durante as guerras coloniais pode explicar em parte a ligeira preponder\u00e2ncia dos homens no fluxo migrat\u00f3rio com destino a Fran\u00e7a nos anos sessenta. A longa guerra colonial em \u00c1frica empurrou uma grande parte de jovens homens portugueses para o trabalho em Fran\u00e7a antes de serem convocados pelas autoridades militares. Segundo Albano Cordeiro, estes jovens \u00ab\u00a0\u00e9taient pr\u00e9sents d\u00e8s le d\u00e9but de l\u2019exode vers la France et continueront \u00e0 venir jusqu\u2019en 1974\u00a0: \u00e0 cette date, ils seront des dizaines de milliers, peut-\u00eatre pr\u00e8s de 100\u00a0000\u00a0\u00bb (1999\u00a0: 106).<\/p>\n<p>Alguns autores defendem que a taxa de feminiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o imigrante em Fran\u00e7a progride a partir de meados dos anos 1970 com o desenvolvimento de medidas facilitando o reagrupamento familiar (H\u00e9ran, 2002). Outros autores relativizam a brusca feminiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o migrante a partir dessas medidas, alegando uma progress\u00e3o lenta e vari\u00e1vel: \u00ab\u00a0en 1942, les femmes repr\u00e9sentaient 42,6% des immigr\u00e9s, 38,6% en 1954, 38,2% en 1962, 39,3% en 1968, 40,1% en 1975 et 42,8% en 1982\u00a0\u00bb (recenseamentos da popula\u00e7\u00e3o em Fran\u00e7a de 1946 \u00e0 1982, INSEE, citados em Golub\u00a0<i>et<\/i>\u00a0<i>al<\/i>, 1997\u00a0:21). Se a imagem cl\u00e1ssica da mulher migrante no contexto do reagrupamento familiar pode dar conta de uma parte da realidade, ela tem tend\u00eancia a ocultar outras, nomeadamente o papel activo que as mulheres podem exercer no projecto migrat\u00f3rio ou no caso de as mulheres migrarem sozinhas:\u00a0\u00ab\u00a0avant 1976 existait d\u00e9j\u00e0 une composante f\u00e9minine autonome dans les migrations de main-d\u2019\u0153uvre \u00e0 travers notamment de la figure de la \u2018bonne espagnole\u2019 (relay\u00e9e depuis dans ce r\u00f4le par l\u2019effectif de la domesticit\u00e9 portugaise) et celle de l\u2019active yougoslave\u00a0\u00bb (Bentchicou, 1997\u00a0:28).<\/p>\n<p>Parece-nos quase l\u00f3gico que a migra\u00e7\u00e3o feminina tenha sido frequentemente ignorada nas investiga\u00e7\u00f5es, na medida em que as mulheres eram ignoradas em muitos outros dom\u00ednios, tanto nas ci\u00eancias sociais como no seio da sociedade. Mais especificamente, nos estudos sobre as migra\u00e7\u00f5es o \u201cneutro masculino\u201d foi considerado durante muito tempo como suficiente para representar toda a popula\u00e7\u00e3o migrante. O atraso na introdu\u00e7\u00e3o da perpectiva de g\u00e9nero nos estudos das migra\u00e7\u00f5es tem vindo a atenuar-se. H\u00e1 mais de vinte anos um n\u00famero especial da\u00a0<i>International Migration Review\u00a0<\/i>(1984) foi dedicado exclusivamente \u00e0s mulheres migrantes. Muitos dos artigos integrados neste n\u00famero sublinham a necessidade de inscrever as mulheres na hist\u00f3ria das migra\u00e7\u00f5es internacionais (entre outros artigos, cf. Morokwasic,\u00a0<i>Birds of passage are also women<\/i>, 1984).<\/p>\n<p><b>Sair da \u201cmarginalidade\u201d, o contexto profissional&#8230;<\/b><\/p>\n<p>O conceito de cidadania \u00e9 um dos mais revisitados e redefinidos pelas institui\u00e7\u00f5es sociais. O conceito revelava-se bastante abrangente no momento da sua constru\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XIX, insistindo sobre as liberdades dos indiv\u00edduos. Hoje em dia ele \u00e9 mais limitativo pois define a inclus\u00e3o de uns pela exclus\u00e3o de outros (Del Re, 1994). A ideia de cidadania \u00e9 importante para este ponto (se as mulheres migrantes sairam ou n\u00e3o da \u201cmarginalidade\u201d) pois ela concerne os direitos c\u00edvicos, pol\u00edticos e sociais que tornam poss\u00edvel a participa\u00e7\u00e3o de uma pessoa na sociedade na qual reside.<\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o ressuscita implicitamente a concep\u00e7\u00e3o de T.H. Marshall sobre a cidadania na medida em que o problema que se coloca aqui n\u00e3o \u00e9 tanto de saber quem s\u00e3o os cidad\u00e3os, mas o que significa e o que compreende esta cidadania. Segundo a teoria de Marshall (1950), a cidadania inclui tr\u00eas tipos de direitos: civis, pol\u00edticos e sociais atribu\u00eddos cronologicamente, respectivamente nos s\u00e9culos XVIII, XIX e XX. O objectivo destes direitos seria de acabar com um estado de desigualdade social. A ideia de fundo \u00e9 que a cidadania \u00e9 constitu\u00edda por direitos concretos e quantific\u00e1veis (por exemplo, o facto de se poder votar, de faz\u00ea-lo ou n\u00e3o). V\u00e1rias cr\u00edticas fizeram-se ouvir em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria de Marshall. Aqui, interessamo-nos com mais acuidade naquela que nos remete \u00e0 androginia<a title=\"\" href=\"#_ftn8\">[8]<\/a>. A cronologia hist\u00f3rica de Marshall apenas concerne os homens; a isto re\u00fane-se o facto de que a materializa\u00e7\u00e3o destes direitos n\u00e3o \u00e9 a mesma consoante o sexo (Del Re, 1994\u00a0:73). Um ponto perdura fundamental na perspectiva de Marshall: a sua tipologia permite relevar as categorias de indiv\u00edduos n\u00e3o reconhecidos como cidad\u00e3os de parte inteira, entre os quais as mulheres mas tamb\u00e9m o(a)s imigrantes. Actualmente, como vimos acima, o conceito revela-se restritivo nas pr\u00e1ticas de certas institui\u00e7\u00f5es e nas representa\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Esta perspectiva remete-nos para as circunst\u00e2ncias segundo as quais as mulheres migrantes s\u00e3o tamb\u00e9m vitimas de uma sociedade onde o homem representa o universal e a mulher \u201co outro\u201d. As investiga\u00e7\u00f5es e questionamentos feministas<a title=\"\" href=\"#_ftn9\">[9]<\/a>\u00a0constitu\u00edram uma alavanca de engrenagem no desenvolvimento dos estudos das migra\u00e7\u00f5es femininas. Uma das aprendizagens que podemos tirar destes questionamentos refere-se \u00e0 categoriza\u00e7\u00e3o social baseada no sexo dos indiv\u00edduos. O g\u00e9nero \u00e9 um permanente processo de constru\u00e7\u00e3o \u201cno dia a dia, na interac\u00e7\u00e3o social, nas constru\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, nunca se reduz aos caracteres sexuais, mas sim a um conjunto de atributos morais de comportamento, socialmente sancionados e constantemente reavaliados, negociados, relembrados\u201d (Almeida, 1995:128). Mas num contexto migrat\u00f3rio balizado pela desestabiliza\u00e7\u00e3o da vida quotidiana, as mulheres n\u00e3o poderiam ficar passivas diante dos processos de domina\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o que se exercem sobre elas como mulheres e como migrantes (tanto no pa\u00eds de origem como no de instala\u00e7\u00e3o). Da\u00ed a necessidade incontorn\u00e1vel de as tratar como actrizes sociais da sua pr\u00f3pria mobilidade.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a das mulheres migrantes no mercado de trabalho vai ser um elemento chave no desabrochar de um interesse pelo papel activo destas mulheres na sua traject\u00f3ria migrat\u00f3ria, aliando de uma forma ou de outra os estudos de g\u00e9nero e de migra\u00e7\u00f5es. No que diz respeito \u00e0s representa\u00e7\u00f5es sobre as migra\u00e7\u00f5es \u00e9 importante insistir sobre o facto que o imigrante foi durante muito tempo (e ainda o \u00e9 nalguns casos) leg\u00edtimo aos olhos da sociedade exclusivamente como trabalhador. Esta representa\u00e7\u00e3o, \u201cfemmes immigr\u00e9es au travail\u00a0\u00bb foi por consequ\u00eancia importante na visibilidade p\u00fablica desta popula\u00e7\u00e3o\u00a0 (Golub\u00a0<i>et<\/i>\u00a0<i>al<\/i>, 1997\u00a0:24). Assistimos, atrav\u00e9s do trabalho assalariado, a um percurso que se iniciou na indiferen\u00e7a social e se prolongou numa \u201cindividualidade cidad\u00e3\u201d (talvez n\u00e3o completa). Este percurso tornou poss\u00edvel a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na sociedade na qual s\u00e3o membros. O pr\u00f3prio conceito de cidadania aparece associado historicamente ao trabalho. \u00c9 o caso do conceito de cidadania de Marshall (1950) que, mesmo que esteja hoje obsoleto, correspondia ao contexto de pleno emprego e de crescimento desigual que as sociedades ocidentais conheceram depois da 2\u00aa Guerra Mundial. Tratava-se, neste sentido, de uma \u201ccidadania assalariada\u201d, apesar de ela poder abranger indiv\u00edduos que n\u00e3o pagavam impostos.<\/p>\n<p>Deste ponto de vista, conhecer o estatuto do trabalho feminino no seio da sociedade portuguesa pode ajudar a compreender alguma das caracter\u00edsticas profissionais das mulheres portuguesas em Fran\u00e7a. \u00c9 a partir desta base que esperamos encontrar alguns fragmentos de explica\u00e7\u00e3o sobre os comportamentos socioprofissionais das mulheres portuguesas em situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Tanto a Fran\u00e7a como Portugal t\u00eam taxas elevadas no que diz respeito \u00e0 actividade profissional feminina. Mas cada um destes pa\u00edses tem as suas pr\u00f3prias especificidades socio-historicas e a sua pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o. No espa\u00e7o de quarenta anos, a Fran\u00e7a e Portugal testemunharam um forte crescimento na taxa de actividade feminina, seguindo a tend\u00eancia global da Europa neste per\u00edodo. No entanto, esta taxa elevada de actividade feminina foi atingida em Portugal de uma maneira muito mais r\u00e1pida. Ao inv\u00e9s de outros pa\u00edses que participaram na 2\u00aa Guerra Mundial de uma maneira activa, a n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o de Portugal levou a que a feminiza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho fosse retardada nesse per\u00edodo. Todas as grandes guerras fazem apelo sobretudo aos homens para engrossarem as frentes de batalha, fazendo com que haja um lapso moment\u00e2neo na m\u00e3o-de-obra que as mulheres v\u00eam compensar. Numa din\u00e2mica similar a esta, tanto o fluxo de emigra\u00e7\u00e3o intenso que Portugal observou na sociedade portuguesa, como a longa guerra da independ\u00eancia das col\u00f3nias que marcou Portugal entre 1961 e 1974 contribuiram para a abertura de portas do mercado de trabalho portugu\u00eas \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p>Este tipo de acontecimentos hist\u00f3ricos deram origem a transforma\u00e7\u00f5es sociais e simb\u00f3licas que contribuiram para a legitima\u00e7\u00e3o da mulher activa na sociedade portuguesa. Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m importante salientar que muitas das mulheres que deixaram Portugal nos anos sessenta eram de origem rural e por isso a experi\u00eancia salarial em Fran\u00e7a era uma novidade. Ainda nos anos sessenta, o sector prim\u00e1rio empregava quase metade da popula\u00e7\u00e3o portuguesa. Esta reparti\u00e7\u00e3o sectorial em Portugal n\u00e3o deixa de estar associada aos constrangimentos estruturais cujo pa\u00eds teve submetido durante muitos anos. \u00c9 apenas a partir da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril de 1974 que o Estado define certas pol\u00edticas sociais que engendraram um aumento decisivo do emprego no sector terci\u00e1rio (Viegas e Costa (coord.), 1998 :30).<\/p>\n<p>Sendo a maioria de origem rural, as mulheres portuguesas que chegaram a Fran\u00e7a nos anos sessenta sempre exerceram tarefas produtivas. Mas tendo em conta que o sector agr\u00edcola em certas regi\u00f5es de Portugal era dominado pelas explora\u00e7\u00f5es familiares, as mulheres estavam exclu\u00eddas das remunera\u00e7\u00f5es. Num contexto social como este, a distin\u00e7\u00e3o entre o estatuto da mulher activa e n\u00e3o activa n\u00e3o era claro no seio da sociedade. A chegada a Fran\u00e7a instituiu facilmente a rela\u00e7\u00e3o salarial, pois estas mulheres n\u00e3o traziam nenhum constrangimento de ordem profissional ligado a um sistema social r\u00edgido. Ali\u00e1s, tendo em conta a \u201cl\u00f3gica de poupan\u00e7a\u201d por parte dos emigrantes portugueses, o sal\u00e1rio duplo no seio da fam\u00edlia era um elemento necess\u00e1rio no quotidiano.<\/p>\n<p>Todo este contexto socio-hist\u00f3rico pode explicar em parte a forte presen\u00e7a das mulheres portuguesas no mercado de trabalho franc\u00eas. Na faxa et\u00e1ria de 18 a 59 anos<a title=\"\" href=\"#_ftn10\">[10]<\/a>, 69,3% destas mulheres declararam exercer uma actividade profissional no momento do inqu\u00e9rito. Esta percentagem, al\u00e9m de representar a taxa mais elevada entre todos os grupos de mulheres imigrantes em Fran\u00e7a, \u00e9 igualmente superior \u00e0 das mulheres nascidas em Fran\u00e7a. No entanto, enquanto que 6,5% das mulheres nascidas em Fran\u00e7a se encontram em situa\u00e7\u00e3o escolar, apenas 0,4% das mulheres imigrantes portuguesas declaram encontrar-se nesta situa\u00e7\u00e3o. A idade no primeiro emprego destas mulheres \u00e9 sintom\u00e1tica de uma muito curta escolaridade: quase 32% das mulheres imigrantes portuguesas tiveram o seu primeiro emprego aos 15 anos e menos, mais do que o dobro das mulheres nascidas em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando restringimos a idade das mulheres da amostra ao intervalo de 25 a 49 anos<a title=\"\" href=\"#_ftn11\">[11]<\/a>, evidenciam-se algumas mudan\u00e7as de propor\u00e7\u00f5es. Outrora, segundo Maruani (2003), era entre as mulheres desta idade interm\u00e9dia que se encontravam os elementos menos activos da popula\u00e7\u00e3o em idade de trabalhar. Doravante, grande parte das muheres declaram estar em actividade profissional no momento do inqu\u00e9rito. A diferen\u00e7a entre as mulheres nascidas em Fran\u00e7a e em Portugal desaparece quase totalmente quando examinamos a faxa et\u00e1ria dos 25 aos 49 anos<a title=\"\" href=\"#_ftn12\">[12]<\/a>: a percentagem eleva-se a 73,3% para as primeiras e 74,1% para as segundas. Bastantes declararam estar em paragem da actividade profissional: 23,2% e 21,6%, respectivamente. Se examinarmos o tipo de inactividade associado a esta cessa\u00e7\u00e3o da actividade profissional, apercebemo-nos de que 11,3% das mulheres nascidas em Fran\u00e7a e 9,8% das mulheres imigrantes de Portugal encontram-se no momento do inqu\u00e9rito no desemprego<a title=\"\" href=\"#_ftn13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>Por outro lado, a reparti\u00e7\u00e3o segundo as categorias socioprofissionais das emigrantes portuguesas residentes em Fran\u00e7a permite elucidar a maneira pela qual estas mulheres s\u00e3o integradas na estrutura socioprofissional do pa\u00eds de instala\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m elucidar a posi\u00e7\u00e3o social que elas ocupam na sociedade francesa. Observ\u00e1mos pelos resultados precedentes que as imigrantes portuguesas aflu\u00edram de forma maci\u00e7a ao mercado de trabalho franc\u00eas. Por\u00e9m, como podemos verificar pelo quadro 2, o afluxo maci\u00e7o destas mulheres foi concretizado maioritariamente por interm\u00e9dio de profiss\u00f5es e sectores de actividade muito segmentados sexualmente e compostos de actividades que necessitam de poucas ou nulas qualifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Cerca de 30,3% das emigrantes portuguesas com idade comprendida entre os 18 e os 69 anos, declaram pertencer \u00e0 categoria\u00a0<i>Personnels des services directs aux particuliers<\/i>; outras 14,6% \u00e0 categoria de\u00a0<i>Ouvriers non qualifi\u00e9s<\/i>. Identificamos uma diferen\u00e7a n\u00edtida quando se trata das mulheres nascidas em Fran\u00e7a, 6,6% e 4,2%, respectivamente. Na senda destes resultados \u00e9 importante sublinhar que o ramo dos servi\u00e7os directos aos particulares \u00e9 inserido na categoria dos empregados. Esta categoria pode englobar um conjunto de situa\u00e7\u00f5es profissionais bastante heterog\u00e9neas. Segundo Chenu, algumas actividades no interior desta categoria \u00ab\u00a0pr\u00e9supposent une formation sup\u00e9rieure [\u2026], mais la majorit\u00e9 [\u2026] se situe \u00e0 un niveau peu qualifi\u00e9, similaire \u2013 et parfois inf\u00e9rieur \u2013 \u00e0 celui des ouvriers ou des employ\u00e9s administratifs ou commerciaux\u00a0\u00bb (2005\u00a0:65). Tendo em conta as poucas qualifica\u00e7\u00f5es das mulheres imigrantes portuguesas em Fran\u00e7a, supomos que a maior parte delas se situe neste \u00faltimo grupo. Esta situa\u00e7\u00e3o cria um estatuto de profissionaliza\u00e7\u00e3o \u00ab\u00a0o\u00f9 persiste le statut de domestique et, par l\u00e0, une forme de d\u00e9pendance interpersonnelle h\u00e9rit\u00e9e d\u2019un lointain pass\u00e9\u00a0\u00bb<a title=\"\" href=\"#_ftn14\">[14]<\/a>\u00a0(Chenu, 2005\u00a0:68). Portanto, assistimos a uma interpenetra\u00e7\u00e3o da esfera do trabalho assalariado das emigrantes portuguesas e da esfera privada dos indiv\u00edduos na sua grande maioria aut\u00f3ctones.<\/p>\n<p><b>Quadro 2. Imigrantes portuguesas em Fran\u00e7a e francesas, de 18 a 69 anos, segundo a categoria socio-profissional (efectivos em milhares)<\/b><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\"><b>Categorias socio-profissionais<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\"><b>Fran\u00e7a<\/b><\/p>\n<p><b>(efectivos em milhares)<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\"><b>(%)<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\"><b>Portugal<\/b><\/p>\n<p><b>(efctivos em milhares)<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\"><b>(%)<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Sem resposta<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">818<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">4,8%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">2<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">0,8%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Agricultores independentes<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">197<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">1,0%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">0,4%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Artes\u00e3os<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">152<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">0,9%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">3<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">1,2%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Comerciantes e assimilados<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">216<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">1,3%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">2<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">0,8%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Empres\u00e1rios com + 10 assalariados<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">22<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">0,1%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Profiss\u00f5es liberais<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">89<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">0,5%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">0,4%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Quadros fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, profiss\u00f5es intelectuais e art\u00edsticas<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">480<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">2,8%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">0,4%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Quadros de empresas privadas<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">323<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">1,9%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">0,4%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Profiss\u00f5es interm\u00e9dias ensino, sa\u00fade, fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">1436<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">8,5%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">3<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">1,2%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Profiss\u00f5es interm\u00e9dias administrativos e comerciais de empresas<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">801<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">4,7%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">4<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">1,6%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0T\u00e9cnicos<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">114<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">,7%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Contramestres, encarregados<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">42<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">,2%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">0,4%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Empregados da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">1669<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">9,8%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">18<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">7,1%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Empregados administrativos de empresas<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">1643<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">9,7%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">13<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">5,1%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Empregados do com\u00e9rcio<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">743<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">4,4%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">12<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">4,7%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Pessoal de servi\u00e7os directos a particulares<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">1114<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">6,6%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">77<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\"><b>30,3%<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Oper\u00e1rios qualificados<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">361<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">2,1%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">9<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">3,5%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Oper\u00e1rios n\u00e3o qualificados<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">713<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">4,2%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">37<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">14,6%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Oper\u00e1rios agr\u00edcolas<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">61<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">0,4%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">0,4%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" width=\"164\">\u00a0Antigos agricultores independentes<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">200<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">1,2%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" width=\"164\">\u00a0Antigos artes\u00e3os, comerciantes e chefes de empresa<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">130<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">0,8%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" width=\"164\">\u00a0Antigos quadros e profiss\u00f5es interm\u00e9dias<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">399<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">2,3%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"bottom\" width=\"164\">\u00a0Antigos empregados e oper\u00e1rios<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">1444<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">8,5%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">11<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">4,3%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Desempregados nunca tendo trabalhado<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">128<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">0,8%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">0,4%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0Outros activos<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">3687<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">21,7%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">56<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">22,0%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"164\">\u00a0<b>Total\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"107\">\n<p align=\"center\">16982<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"36\">\n<p align=\"center\">100,0%<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"99\">\n<p align=\"center\">254<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"37\">\n<p align=\"center\">100,0%<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><b>Fonte\u00a0: \u00ab\u00a0Enqu\u00eate l\u2019Etude Histoire Familiale<i>\u00a0<\/i>\u00bb,<i>\u00a0<\/i>\u00a01999<\/b><\/p>\n<p>No que diz respeito ao g\u00e9nero, enquanto que as mulheres nascidas em Portugal s\u00e3o sobrerepresentadas na categoria dos empregados (47,2%), os homens nascidos em Portugal est\u00e3o concentrados nas categorias socioprofissionais de oper\u00e1rios, entre os quais 40,3% de oper\u00e1rios qualificados e 16,3% de oper\u00e1rios n\u00e3o qualificados (EHF 1999). Existe um aspecto importante que podemos destacar do cruzamento entre as vari\u00e1veis \u201cper\u00edodo de chegada a Fran\u00e7a\u201d e \u201ccategoria socioprofissional\u201d: uma grande parte dos indiv\u00edduos chegados depois de 1974 continua a concentrar-se nas mesmas categorias que foram ocupadas por aqueles que chegaram maci\u00e7amente no anos sessenta. Assim, 64% dos homens nascidos em Portugal e chegados a Fran\u00e7a depois de 1974 s\u00e3o oper\u00e1rios (entre os quais 44,4% qualificados et 20% n\u00e3o qualificados) e 43,3% das mulheres chegadas a Fran\u00e7a no mesmo per\u00edodo situam-se na categoria\u00a0<i>Personnels des services directs aux particuliers<\/i>.<\/p>\n<p>Os imigrantes portugueses ocupam na sua grande maioria posi\u00e7\u00f5es que se encontram na cauda da hierarquia socioprofissional francesa, onde predominam formas de emprego muito desvalorizadas socialmente. O sector da constru\u00e7\u00e3o civil foi, desde o in\u00edcio, o principal empregador dos homens portugueses. As condi\u00e7\u00f5es de acesso ao mercado de trabalho estavam estritamente relacionadadas com os factores estruturais da economia francesa. Por outro lado, existiram, numa mais pequena escala, dispositivos particulares de recrutamento no seio da sociedade francesa que \u00edam para al\u00e9m das redes pessoais. No que diz respeito \u00e0s mulheres, a Igreja Cat\u00f3lica teve um papel central no recrutamento das primeiras a chegarem nos anos sessenta: \u00ab\u00a0Les pr\u00eatres de la Mission [portugaise] furent souvent l\u2019objet de la m\u00e9fiance de nombreux catholiques en France, Portugais ou Fran\u00e7ais. Ils reprochaient aux missionnaires certaines conceptions \u2018d\u2019aide \u00e0 l\u2019emploi\u2019, en particulier la fa\u00e7on dont la Mission organisait dans ses locaux le recrutement de domestiques, sous une forme que certains d\u00e9signaient comme \u00a0\u2018un march\u00e9 aux esclaves\u2019, par la bourgeoisie de l\u2019ouest parisien\u00a0\u00bb (Volovitch-Tavares, 1999\u00a0:93).<\/p>\n<p>Posto isto, e sem negligenciar as caracter\u00edsticas sociodemogr\u00e1ficas de grande parte das mulheres portugueses em Fran\u00e7a, podemos constatar e avan\u00e7ar a hip\u00f3tese segundo a qual estas mulheres s\u00e3o o alvo de um processo de segrega\u00e7\u00e3o profissional baseado no g\u00e9nero e na origem geogr\u00e1fica, ao qual voltaremos mais tarde.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Para ir mais longe&#8230; a actividade profissional.<\/b><\/p>\n<p><b><\/b>A an\u00e1lise anterior mostrou que a percentagem de actividade profissional no interior do grupo das imigrantes portuguesas e do grupo das mulheres nascidas em Fran\u00e7a, no momento do inqu\u00e9rito, \u00e9 mais elevada do que a actividade das outras popula\u00e7\u00f5es femininas imigrantes em Fran\u00e7a. Embora as percentagens dos dois primeiros grupos se aproximem uma da outra, o exame que fizemos anteriormente sugeriu a exist\u00eancia de diferen\u00e7as aquando da introdu\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis sociodemogr\u00e1ficas ou de vari\u00e1veis que davam conta da situa\u00e7\u00e3o familiar. Para estas duas popula\u00e7\u00f5es femininas, o efeito aparente, por exemplo, da idade sobre o facto de estar em actividade ou n\u00e3o no momento do inqu\u00e9rito (dados evidenciados pela realiza\u00e7\u00e3o de cruzamentos a tr\u00eas vari\u00e1veis), poderia resultar das associa\u00e7\u00f5es existentes entre esta vari\u00e1vel e outras vari\u00e1veis n\u00e3o introduzidas no cruzamento mas podendo ser muito influentes para os resultados.<\/p>\n<p>Parece-nos ent\u00e3o l\u00f3gico colocar a quest\u00e3o se o facto de estar ou n\u00e3o em actividade profissional no momento do inqu\u00e9rito, para as imigrantes portuguesas em Fran\u00e7a e para as mulheres nascidas em Fran\u00e7a, pode ser explicado por uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas, utilizando o racioc\u00ednio estat\u00edstico do tipo \u201ctoutes choses \u00e9gales par ailleurs\u201d, ou seja, controlando o efeito das vari\u00e1veis introduzidas para al\u00e9m da vari\u00e1vel considerada. Neste sentido, poderemos testar a seguinte hip\u00f3tese: certos grupos de mulheres t\u00eam mais tend\u00eancia que outros para exercerem uma actividade profissional, em fun\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds de nascimento.<\/p>\n<p>A regress\u00e3o log\u00edstica \u00e9 um instrumento particularmente pertinente para responder a esta quest\u00e3o, pois esta t\u00e9cnica estat\u00edstica permite-nos conhecer a rela\u00e7\u00e3o do risco relativo de estar ou n\u00e3o estar em actividade profissional no momento do inqu\u00e9rito (vari\u00e1vel dependente), mantendo constantes as outras vari\u00e1veis inclu\u00eddas no modelo de regress\u00e3o (vari\u00e1veis independentes). As imigrantes portuguesas e as mulheres nascidas em Fran\u00e7a s\u00e3o inclu\u00eddas na mesma an\u00e1lise, o que nos possibilita a avalia\u00e7\u00e3o do efeito pr\u00f3prio do pa\u00eds<a title=\"\" href=\"#_ftn15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p><b>Resultados<\/b><\/p>\n<p>As taxas de actividade profissional nas duas popula\u00e7\u00f5es em estudo s\u00e3o bastante similares. Por\u00e9m, seria interessante verificar se mantendo outras vari\u00e1veis constantes existe uma propens\u00e3o diferenciada no exercer de uma actividade profissional no seio destes grupos.<\/p>\n<p><b>Quadro 4.\u00a0 Exercer uma actividade profissional no momento do inqu\u00e9rito. Modelos explicativos comportando cinco vari\u00e1veis\u00a0<a title=\"\" href=\"#_ftn16\">[16]<\/a><\/b><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"131\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"90\">\n<p align=\"center\"><b>Modelo 1<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"90\">\n<p align=\"center\"><b>Modelo 2<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"3\" valign=\"top\" width=\"146\">\n<p align=\"center\"><b>Modelo 3<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"50\">\n<p align=\"center\"><b>Vari\u00e1veis<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>Modalidades de refer\u00eancia\u00a0\/ Modalidades activas<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>Testes estat\u00edsticos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>Risco relativo<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>(odds ratio)<a title=\"\" href=\"#_ftn17\">[17]<\/a><\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>Testes estat\u00edsticos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>Risco relativo<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>(odds ratio)<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>Coeficiente<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>Testes estat\u00edsticos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\"><b>Risco relativo<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>(odds ratio)<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"131\">\n<p align=\"center\"><b>Constante<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">2,05<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">2,52<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">1,22<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">3,40<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"50\"><b>Pa\u00eds de\u00a0<\/b><b>nascimento<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>Fran\u00e7a<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"326\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>Portugal<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,75<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-0,37<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,69<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"8\" valign=\"top\" width=\"50\"><b>Idade<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 20 a 24 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,67<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-0,86<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,43<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 25 a 29 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,88<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-0,37<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 0,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 30 a 34 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"326\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 35 a 39 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">1,24<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,35<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">1,42<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 40 a 44 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">1,43<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,52<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">1,68<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 45 a 49 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">1,37<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,45<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">1,56<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 50 a 54 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,8<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-0,09<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,914<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 55 a 59 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,31<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-1,07<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,35<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"6\" valign=\"top\" width=\"50\"><b>Idade em fim de escolaridade<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 10 a 12 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,67<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-0,24<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.01<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,79<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 13 a 15 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,75<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-0,2<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,82<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 16 a 18 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"326\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>de 19 a 21 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">1,62<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,42<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">1,52<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>\u00a022 anos e mais<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">2,54<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,8<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">2,22<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>Desconhecido<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,27<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-1,5<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,22<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" valign=\"top\" width=\"50\"><b>Estado civil<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>Solteira<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-0,03<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>Casada<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"326\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>Vi\u00fava<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,24<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">1,27<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>Divorciada<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,35<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">1,42<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"6\" valign=\"top\" width=\"50\"><b>N\u00famero de filhos<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>0 filhos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">0,47<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">1,6<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>1 filhos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-0,26<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,77<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>2 filhos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"326\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>3 filhos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-0,8<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,45<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>4 filhos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-1,14<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,32<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">\n<p align=\"center\"><b>5 ou mais filhos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">-1,69<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"45\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"56\">\n<p align=\"center\">0,19<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><b>Popula\u00e7\u00e3o\u00a0: Mulheres nascidas em Fran\u00e7a e em Portugal, de 20 a 59 anos<\/b><\/p>\n<p><b>Fonte\u00a0: EHF 1999<\/b><\/p>\n<p><b>Significativo (p<.05); Muito significativo (p<\/b><\/p>\n<p><b>n.s.\u00a0: n\u00e3o significativo<\/b><a title=\"\" href=\"#_ftn18\">[18]<\/a><\/p>\n<p>O primeiro modelo (quadro 4), apenas comporta o efeito do pa\u00eds de nascimento e como esper\u00e1vamos ele n\u00e3o nos permite tirar conclus\u00f5es. N\u00e3o obstante, esta redund\u00e2ncia estat\u00edstica desaparece nos modelos subsequentes. Apesar das percentagens altas da actividade profissional nos dois grupos de mulheres estudadas, a actividade das mulheres continua a ser afectada, mais do que a dos homens, por factores individuais e familiares, entre outros.<\/p>\n<p><b><\/b>Neste sentido, o segundo modelo, introduzindo as vari\u00e1veis associadas ao plano individual (todas estas mantidas constantes) faz emergir resultados mais precisos. A an\u00e1lise do quadro 4 mostra que o risco de exercer uma actividade no momento do inqu\u00e9rito (em rela\u00e7\u00e3o a n\u00e3o exercer) \u00e9 1,3 vezes menor (ou seja 1\/0,75) no interior do grupo das imigrantes portuguesas em Fran\u00e7a do que no interior do grupo de mulheres nascidas em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>E os factores familiares\u00a0? O efeito do pa\u00eds ap\u00f3s o ajustamento de todas as vari\u00e1veis de controlo consideradas no modelo 3 continua muito significativo e segue a mesma tend\u00eancia. As mulheres portuguesas imigrantes em Fran\u00e7a t\u00eam uma probabilidade menor de estar a exercer uma actividade profisssional que as mulheres nascidas em Fran\u00e7a, todas as caracter\u00edsticas do modelo mantidas constantes (probabilidade inferior a 1,5 pontos).<\/p>\n<p>Podemos igualmente observar, no modelo 3, que os riscos relativos das modalidades da vari\u00e1vel idade revelam que as mulheres dos dois grupos estudados com idade compreendida entre 35 e 49 anos t\u00eam um risco 1,5 pontos superior de estar em actividade profissional em compara\u00e7\u00e3o com as mulheres de idade compreendida entre 30 e 34 anos. Da mesma maneira, aquelas que terminaram os estudos entre os 19 e 21 anos t\u00eam 1,5\u00a0 de risco superior de estar em actividade do que aquelas que acabaram os seus estudos na idade compreendida entre os 16 e os 18 anos. Esta probabilidade \u00e9 ainda mais alta para aquelas que terminaram a sua escolaridade depois dos 22 anos (cerca de 2,2 pontos superiores). Estes resultados v\u00eam confirmar o que v\u00e1rios estudos demonstraram sobre a exist\u00eancia de uma forte correla\u00e7\u00e3o entre n\u00edveis de escolaridade e actividade profissional.<\/p>\n<p>No que diz respeito aos factores familiares podemos constatar que as divorciadas t\u00eam uma probabilidade superior de cerca de 1,42 pontos de exercer uma actividade profissional no momento do inqu\u00e9rito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s casadas. Inversamente, podemos observar que \u00e0 excep\u00e7\u00e3o daquelas que n\u00e3o t\u00eam nenhum filho, as mulheres que t\u00eam um, tr\u00eas, quatro, cinco ou mais filhos t\u00eam um risco inferior de estar em actividade profissional do que aquelas que t\u00eam duas crian\u00e7as.<\/p>\n<p><b>Contexto familiar em contexto migrat\u00f3rio<\/b><\/p>\n<p>Ultrapassadas as teorias de Parsons sobre as diferentes fun\u00e7\u00f5es do homem e da mulher no seio da fam\u00edlia, os debates actuais interessam-se sobre a constru\u00e7\u00e3o social do \u201cdestino\u201d feminino no seio da fam\u00edlia. Desde o fim dos anos sessenta, um debate acad\u00e9mico e militante desenvolveu-se nos Estados Unidos em torno dos aspectos te\u00f3ricos da articula\u00e7\u00e3o entre classe, g\u00e9nero e etnicidade. Este debate eclodiu, entre outros, pela recusa de parte das \u201cmulheres negras\u201d do discurso excessivamente universalista do feminismo, desenvolvido sobretudo por mulheres brancas. Um dos pontos fulcrais da discuss\u00e3o era o facto das mulheres brancas defenderem que o principal lugar de opress\u00e3o \u00e9 a fam\u00edlia, enquanto que para as mulheres negras a fam\u00edlia seria um dos \u00fanicos lugares onde elas n\u00e3o eram obrigadas a confrontar a agress\u00e3o exterior da viol\u00eancia racista.<\/p>\n<p>Deste modo, um dos pontos de disc\u00f3rdia forjou-se em torno do facto das mulheres brancas n\u00e3o terem tido em conta a experi\u00eancia vivida pelas mulheres negras e pobres em geral. Para estas \u00faltimas, as rela\u00e7\u00f5es sociais de g\u00e9nero construir-se-iam de maneira diferente pois elas t\u00eam a sua base num contexto de rela\u00e7\u00f5es racistas. Bell Hooks, uma das representantes das reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres negras avan\u00e7ava assim os seguintes argumentos: \u00ab\u00a0en d\u00e9pit du sexisme dans le contexte familial, elles peuvent y faire l\u2019exp\u00e9rience de la dignit\u00e9 de l\u2019estime de soi et de l\u2019humanisation qui ne sont pas exp\u00e9riment\u00e9es dans le monde ext\u00e9rieur o\u00f9 elles sont confront\u00e9es \u00e0 toutes les formes d\u2019oppression. [\u2026] La d\u00e9valorisation de la vie de famille dans les discussions f\u00e9ministes refl\u00e8te souvent la nature de classe du mouvement\u201d (Bell Hooks\u00a0<i>in\u00a0<\/i>Poiret, 2005\u00a0:200). Enquanto para umas a \u00ab\u00a0institui\u00e7\u00e3o\u00a0\u00bb fam\u00edlia revelava o quadro da opress\u00e3o das mulheres, para as outras constitu\u00eda um lugar de ref\u00fagio.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da\u00a0 fam\u00edlia como estrutura de refer\u00eancia constituir\u00e1 uma das quest\u00f5es centrais dos trabalhos das feministas negras. Todavia, este aspecto n\u00e3o \u00e9 especifico \u00e0s mulheres negras, ele encontra-se tamb\u00e9m presente em todos os grupos privados de acesso ao poder e aos instrumentos de domina\u00e7\u00e3o cultural (Poiret, 2005\u00a0:201). Nesta perspectiva, \u00e9 importante n\u00e3o negligenciar a fam\u00edlia no \u00e2mbito dos estudos migrat\u00f3rios. Por outro lado, n\u00e3o podemos esquecer dois outros elementos: um primeiro que se refere \u00e0 n\u00e3o exclusividade dos percursos migrat\u00f3rios femininos em fam\u00edlia; o segundo que nos remete \u00e0 n\u00e3o exclusividade das rela\u00e7\u00f5es das mulheres migrantes com o n\u00facleo familiar. Mesmo tratando-se do caso onde a fam\u00edlia determinou o processo de entrada das mulheres na sociedade de instala\u00e7\u00e3o ou do caso onde se criou uma fam\u00edlia\u00a0<i>a posteriori<\/i>, n\u00e3o est\u00e1 implicado o abandono do olhar sociol\u00f3gico sobre a experi\u00eancia migrat\u00f3ria pessoal das mulheres.<\/p>\n<p>Posto isto, tudo se resume aqui ao facto de saber como abordar o lugar da fam\u00edlia na experi\u00eancia migrat\u00f3ria das mulheres, sabendo que o universo social das mulheres n\u00e3o se reduz ao meio familiar. As mulheres migrantes t\u00eam uma individualidade pr\u00f3pria, um comportamento pessoal e uma rela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica com a sociedade.<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno das migra\u00e7\u00f5es internacionais constitui um campo de reflex\u00e3o privilegiado sobre este tema, na medida em que ele permite estudar por um lado a rela\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos com a sociedade em transforma\u00e7\u00e3o, e por outro, compreender o lugar da fam\u00edlia na experi\u00eancia migrat\u00f3ria das mulheres. V\u00e1rios autores defendem que as mulheres imigrantes s\u00e3o actrizes de transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o somente no interior do seu grupo familiar mas tamb\u00e9m nas sociedades de instala\u00e7\u00e3o. Segundo estes autores, a dupla situa\u00e7\u00e3o de mulheres e estrangeiras d\u00e1-lhes a possibilidade de desenvolver um discernimento reflexivo sobre a sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o, conduzindo-as a assumir uma postura de vanguarda nas transforma\u00e7\u00f5es da sociedade (Golub\u00a0<i>et al<\/i>, 1997\u00a0: 27). Consequentemente, elas situam-se no centro dos conflitos da sociedade, permitindo chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre os novos desafios da modernidade, no interior e exterior da vida familiar.<\/p>\n<p>No nosso caso, como vimos anteriormente, o grande fluxo migrat\u00f3rio portugu\u00eas dos anos sessenta e setenta seguiu um modelo misto ou familiar. A fam\u00edlia aparece assim como um espa\u00e7o<a title=\"\" href=\"#_ftn19\">[19]<\/a>\u00a0incontorn\u00e1vel para compreender as traject\u00f3rias migrat\u00f3rias das mulheres nascidas em Portugal. \u00a0Esta perspectiva sensibilizou-nos para o facto de que as traject\u00f3rias das mulheres migrantes portuguesas t\u00eam que ser analisadas como um duplo processo inscrito tanto num vasto contexto socio espacial como num contexto de rela\u00e7\u00f5es sociais, dentro das quais a fam\u00edlia constitui um dos elementos centrais. Aqui ficam alguns tra\u00e7os de caracteriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s pr\u00e1ticas matrimoniais das mulheres nascidas em Portugal instaladas em Fran\u00e7a, os dados mostram uma forte propens\u00e3o a que estas mulheres conhe\u00e7am uma hist\u00f3ria matrimonial que poderiamos chamar de \u201cregular\u201d, pois 73,7% declaram no momento do inqu\u00e9rito ter uma (e a \u00fanica) vida de casal. Esta percentagem revela ser uma das mais altas, pr\u00f3xima das mulheres nascidas na Turquia (74,7%), quando comparada com outras mulheres imigrantes em Fran\u00e7a e nascidas em diversos pa\u00edses. Por outro lado, vinte pontos de diferen\u00e7a separam as mulheres nascidas em Portugal das que nasceram em Fran\u00e7a. Apenas 52,9% destas \u00faltimas declaram ter uma (e a \u00fanica) vida em casal. J\u00e1 as percentagens das mulheres nascidas nos outros pa\u00edses da Europa do Sul, entre os quais a Espanha (55,6%) e a It\u00e1lia (55,1%), situam-se mais pr\u00f3ximas dos comportamentos das mulheres nascidas em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Inversamente, as mulheres nascidas em Portugal s\u00e3o muito poucas a terem conhecido v\u00e1rias vidas de casal no passado. Apenas 0,8% declaram ter conhecido esta situa\u00e7\u00e3o outrora, contra 3,1% das mulheres nascidas em Fran\u00e7a. As imigrantes portuguesas t\u00eam tamb\u00e9m uma baixa percentagem de resposta na modalidade \u201cnunca ter tido uma vida de casal\u201d (isto \u00e9 7,3%), contra 16% das mulheres nascidas em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia \u00e9 um indicador importante para compreender o sentido que as imigrantes portuguesas d\u00e3o ao contexto familiar, podendo da mesma maneira dar conta de eventuais assimetrias de g\u00e9nero. O cruzamento dos c\u00f4njuges segundo o pa\u00eds de nascimento permite constatar que, no interior da popula\u00e7\u00e3o portuguesa instalada em Fran\u00e7a, a homogamia<a title=\"\" href=\"#_ftn20\">[20]<\/a>\u00a0\u00e9 bastante elevada (quadro 3)\u00a0: 60,2% das mulheres s\u00e3o casadas com um indiv\u00edduo nascido igualmente em Portugal, enquanto que para os homens esta percentagem encontra-se em 56,6% (27,3% destes \u00faltimos casaram-se com mulheres nascidas em Fran\u00e7a). As uni\u00f5es mistas no caso das mulheres nascidas em Portugal s\u00e3o inferiores em 8 pontos percentuais em compara\u00e7\u00e3o com os homens, ou seja, apenas 19,3% destas mulheres s\u00e3o casadas com um indiv\u00edduo nascido em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre as mulheres imigrantes em Fran\u00e7a nascidas em diferentes pa\u00edses revela que a propor\u00e7\u00e3o das uni\u00f5es mistas respeitante \u00e0s mulheres nascidas em Portugal est\u00e1 entre as mais baixas. Consequentemente a tend\u00eancia para a homogamia encontra-se entre as mais elevadas. Apenas as mulheres nascidas na Turquia se encontram numa situa\u00e7\u00e3o mais \u00ab\u00a0extrema\u00a0\u00bb (4,9% de uni\u00f5es mistas e 76,8% de homogamia). Das mulheres nascidas nos pa\u00edses apresentados no quadro 3 (Espanha, It\u00e1lia, Arg\u00e9lia, Marrocos, Tunisia, exceptuando Portugal e Turquia), mesmo se existe uma ligeira preponder\u00e2ncia para homogamia, a percentagem de uni\u00f5es mistas com um c\u00f4njuge nascido em Fran\u00e7a varia entre 36,3% para as mulheres nascidas em Espanha e 25,8 para as mulheres nascidas em Marrocos, percentagens claramente mais altas que aquelas observadas anteriormente para as portuguesas e para as turcas. Podemos ent\u00e3o constatar, que a escolha do parceiro(a) no seio da popula\u00e7\u00e3o imigrante portuguesa cai raramente em indiv\u00edduos de origens sociais e culturais afastadas<a title=\"\" href=\"#_ftn21\">[21]<\/a>. Se a uni\u00e3o mista existe, ela n\u00e3o constitui a regra.<\/p>\n<p><b>Quadro 3. Imigrantes casadas em Fran\u00e7a, nascidas em diversos pa\u00edses, segundo o cruzamento da origem geogr\u00e1fica dos c\u00f4njuges (efectivos em milhares)<\/b>\u00a0<a title=\"\" href=\"#_ftn22\">[22]<\/a><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"59\">Pa\u00eds de nascimento<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\"><b>cruzamento dos c\u00f4njuges, segundo a origem geogr\u00e1fica<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\"><b>Uni\u00e3o mista<\/b><\/p>\n<p><b>(casada com um indiv\u00edduo nascido em Fran\u00e7a)<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\"><b>Homogamia<\/b><\/p>\n<p><b>(casada com um indiv\u00edduo nascido no mesmo pa\u00eds)<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"59\"><b>Espanha<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">65<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">67<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">36,3%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">37,4%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"59\"><b>It\u00e1lia<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">79<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">96<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">35,1%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">42,7%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"59\"><b>Portugal<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">51<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">159<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\"><b>19,3%<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\"><b>60,2%<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"59\"><b>Arg\u00e9lia<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">179<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">220<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">32,2%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">39,6%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"59\"><b>Marrocos<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">77<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">120<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">25,8%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">40,1%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"59\"><b>Tunisia<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">45<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">64<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">29,2%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">41,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"59\"><b>Turquia<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\">4<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\">63<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"81\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"153\"><b>4,9%<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"172\"><b>76,8%<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><b>Fonte\u00a0: EHF 1999<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A estrutura da fam\u00edlia em Portugal dos anos 1960 era do tipo nuclear\u00a0: \u00ab\u00a0parents et enfants, entretenant un r\u00e9seaux de relations plus ou moins intenses et \u00e9tendues avec la parent\u00e9, notamment en milieu rural\u00a0\u00bb (Leandro, 1995\u00a0:24). Embora tenham existido v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es na fam\u00edlia portuguesa desde essa \u00e9poca, como por exemplo a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de crian\u00e7as e o crescimento do n\u00famero de div\u00f3rcios, a fam\u00edlia nuclear constru\u00edda em torno do casal e dos filhos continua a predominar no cen\u00e1rio portugu\u00eas (Wall, 2005). Cruzar as vari\u00e1veis de presen\u00e7a de filhos com a pr\u00e1tica conjugal das mulheres nascidas em Portugal em situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria pode evidenciar a reprodu\u00e7\u00e3o do modo de vida familiar conhecido antes da migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, o exame deste cruzamento permite observar que 78% das mulheres nascidas em Portugal vive em casal no momento do inqu\u00e9rito (contra 60,6% para as mulheres nascidas em Fran\u00e7a). Entre elas, 94,2% t\u00eam filhos (contra 86,6% para as mulheres nascidas em Fran\u00e7a). Por outro lado, podemos constatar que apenas 17,1% das mulheres nascidas em Portugal e com filhos n\u00e3o vivem actualmente ou nunca viveram em casal, enquanto que esta percentagem encontra-se em 28,4% para as mulheres nascidas em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Para completar estes dados, parece-nos importante assinalar que entre as mulheres nascidas em Portugal, uma grande parte, 79,8%, declara ter sido casada uma s\u00f3 vez, contra 63% das mulheres nascidas em Fran\u00e7a. Por sua vez, entre estas \u00faltimas 10,6% nunca se casaram e 4,7% casaram-se duas vezes. No caso das mulheres nascidas em Portugal, estas percentagens situam-se respectivamente em 5,3% e 2,3%.<\/p>\n<p>No momento do inqu\u00e9rito, o n\u00famero de filhos m\u00e9dio parece ir mais de encontro \u00e0 m\u00e9dia nacional do seu pa\u00eds de origem (Wall, 2005) do que do seu pa\u00eds de instala\u00e7\u00e3o (Brewster e Rindfuss, 2000). As mulheres nascidas em Portugal t\u00eam uma m\u00e9dia de 2,3% de filhos, contra 1,7% de filhos nas mulheres nascidas em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Estes resultados sugerem que as mulheres nascidas em Portugal, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres nascidas em Fran\u00e7a, seguem os modelos familiares ditos \u201ctradicionais\u201d, onde o casamento \u00fanico e a fam\u00edlia nuclear predominam. Estes modos de funcionamento contribuem para cristalizar os direitos e deveres no seio da fam\u00edlia,\u00a0 com contornos (re)criados em contexto migrat\u00f3rio.<\/p>\n<p><b>Para ir mais longe&#8230; inten\u00e7\u00e3o de retorno.<\/b><\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o de voltar ao pa\u00eds natal faz parte do \u201cmito do retorno\u201d sempre associado \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o. O senso comum sobre o retorno dos emigrantes portugueses em Fran\u00e7a construiu-se em torno da ideia segundo a qual as mulheres, tendo filhos na sociedade de instala\u00e7\u00e3o, t\u00eam mais tend\u00eancia a afastar a inten\u00e7\u00e3o do retorno dos seus projectos de migra\u00e7\u00e3o. Pela an\u00e1lise das respostas das mulheres e dos homens portugueses imigrantes em Fran\u00e7a \u00e0 quest\u00e3o\u00a0 \u00absouhaitez-vous retourner vivre un jour dans la r\u00e9gion de votre enfance\u00a0\u00bb podemos observar uma maior inten\u00e7\u00e3o de retorno da parte dos homens (36,2%) do que da parte das mulheres (33,6% (quadro 4)). Esta diferen\u00e7a torna-se mais clara quando a resposta se d\u00e1 pela negativa. Assim, enquanto apenas 26% dos homens declaram n\u00e3o ter inten\u00e7\u00e3o de retorno, esta percentagem sobe a 32% no que diz respeito \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p><b>Quadro 4. Imigrantes portugueses em Fran\u00e7a, consoante o sexo e a inten\u00e7\u00e3o de retorno \u00e0 regi\u00e3o da inf\u00e2ncia (efectivos em milhares)<\/b><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"50\"><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\"><b>Inten\u00e7\u00e3o de retorno<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\"><b>Sim<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\"><b>N\u00e3o<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\"><b>N\u00e3o sei<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\"><b>J\u00e1 vive<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\"><b>\u00a0Total<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"3\" valign=\"top\" width=\"50\"><b>\u00a0<\/b><b>Mulheres<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">85<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">81<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\">82<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">5<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">253<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\"><b>33,6%<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\"><b>32,0%<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\"><b>32,4%<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">2,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">100,0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">% coluna<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">50,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">57,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\">50,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">41,7%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">51,8%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"3\" valign=\"top\" width=\"50\">\u00a0<b>Homens<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">85<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">61<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\">82<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">7<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">235<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\"><b>36,2%<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\"><b>26,0%<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\"><b>34,9%<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">3,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">100,0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">% coluna<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">50,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">43,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\">50,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">58,3%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">48,2%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"3\" valign=\"top\" width=\"50\">\u00a0<b>Total\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">Efectivo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">170<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">142<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\">164<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">12<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">488<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">% linha<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">34,8%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">29,1%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\">33,6%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">2,5%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">100,0%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"58\">% coluna<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">100,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">100,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"63\">100,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"54\">100,0%<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">100,0%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><b>Fonte\u00a0: \u00ab\u00a0Enqu\u00eate l\u2019Etude Histoire Familiale<i>\u00a0<\/i>\u00bb,<i>\u00a0<\/i>\u00a01999<\/b><\/p>\n<p>Desej\u00e1mos nestes termos testar o efeito pr\u00f3prio da vari\u00e1vel sexo sobre a inten\u00e7\u00e3o de retorno, controlando outras caracter\u00edsticas. Para isso seguimos as mesmas etapas da regress\u00e3o log\u00edstica precedente<a title=\"\" href=\"#_ftn23\">[23]<\/a>.<\/p>\n<p><b>Resultados<\/b><\/p>\n<p>O quadro 5 (em baixo) representa tr\u00eas modelos emparelhados. Antes de apresentarmos este quadro final tivemos que suprimir da an\u00e1lise uma vari\u00e1vel independente respeitante ao contexto familiar que o senso comum nos levava a crer decisiva para a inten\u00e7\u00e3o de retorno. Falamos do n\u00famero de filhos. Esta supress\u00e3o deve-se ao facto de nenhuma das modalidades ser significativa aquando do controlo de outras vari\u00e1veis.<\/p>\n<p><b>Quadro 5.\u00a0 Inten\u00e7\u00e3o de retorno no momento do inqu\u00e9rito. Modelos explicativos comportando oito vari\u00e1veis.\u00a0\u00a0<\/b><\/p>\n<div align=\"center\">\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"154\"><b>\u00a0<\/b><\/td>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"91\"><b>Modelo 1<\/b><\/td>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"90\"><b>Modelo 2<\/b><\/td>\n<td colspan=\"3\" valign=\"top\" width=\"147\"><b>Modelo 3<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"64\">\n<p align=\"center\"><b>Vari\u00e1veis<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">\n<p align=\"center\"><b>Modalidades de refer\u00eancia\u00a0\/ Modalidades activas<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>Teste estat\u00edstico<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>Risco relativo<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>(odds ratio)<a title=\"\" href=\"#_ftn24\">[24]<\/a><\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>Teste estat\u00edstico<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>Risco relativo<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>(odds ratio)<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\"><b>coeficiente<\/b><b><\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>Teste estat\u00edstico<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\"><b>Risco relativo<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>(odds ratio)<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"154\">\n<p align=\"center\"><b>Constante<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\">0,5<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">0,58<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,39<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">0,68<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"64\"><b>Sexo<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">\n<p align=\"center\"><b>Homem<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"328\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">\n<p align=\"center\"><b>Mulher<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\"><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.01<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">0,78<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,32<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.01<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">0,73<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" valign=\"top\" width=\"64\"><b>Estatuto matrimonial<\/b><b><\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">\n<p align=\"center\"><b>Solteira<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\">0,6<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">0,63<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,3<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.05<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">0,74<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">\n<p align=\"center\"><b>Casada<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"328\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">\n<p align=\"center\"><b>Vi\u00fava<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,26<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\">\n<p align=\"center\"><b>Divorciada<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.01<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\">0,61<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.01<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">0,61<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,56<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<01<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">0,57<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"8\" valign=\"top\" width=\"64\"><b>CSP<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Agricultores independentes, Artis\u00e3os, Comerciantes\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">0,16<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Quadros, profiss\u00f5es intelectuais e prof. Interm\u00e9dias<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">0,47<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,3<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Empregados da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,27<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Empregados administrativos, de empresa e de com\u00e9rcio<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.05<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">0,66<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,05<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Pessoal de servi\u00e7os directos a particulares<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.01<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">1,45<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">0,21<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Oper\u00e1rios<\/b><\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"328\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Reformados<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.01<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">0,61<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,69<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">0,50<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Outros sem actividade profissional<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,18<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" valign=\"top\" width=\"64\"><b>Ano de chegada a Fran\u00e7a<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Antes 1964\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,3<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>De 1965 a 1974\u00a0<\/b><\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"328\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>De 1975 a 1999\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">0,55<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">1,73<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Desconhecido<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">0,04<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"5\" valign=\"top\" width=\"64\"><b>Transmiss\u00e3o da l\u00edngua aos filhos<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Apenas o Franc\u00eas\u00a0<\/b><b><\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-1,83<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">0,16<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Franc\u00eas e outra l\u00edngua<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-0,59<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">0,56<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Franc\u00eas apenas ocasionalmente\u00a0<\/b><\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"328\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Nunca o Franc\u00eas<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">0,02<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">n.s.<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">&#8211;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Desconhecido<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">-1,15<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">0,32<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" valign=\"top\" width=\"64\"><b>Estatuto do Alojamento<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Propriet\u00e1rio<\/b><\/td>\n<td colspan=\"7\" valign=\"top\" width=\"328\">\n<p align=\"center\"><b>Ref.<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Arrendamento de uma alojamento mobilado ou vazio\u00a0<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">0,68<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">1,96<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Alojamento gratuito<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">0,79<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">2,19<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"90\"><b>Sem resposta ou alojamento fora do normal<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"39\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"38\">\n<p align=\"center\"><b>&#8211;<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"55\">\n<p align=\"center\">0,87<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"52\">\n<p align=\"center\">P<.001<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"40\">\n<p align=\"center\">2,38<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p><b>Popula\u00e7\u00e3o\u00a0: Portugueses imigrantes em Fran\u00e7a com mais de 18 anos<\/b><\/p>\n<p><b>Fonte\u00a0: EHF 1999<\/b><\/p>\n<p><b>Significativo (p<.05); Muito significativo (p<\/b><\/p>\n<p><b>n.s.\u00a0: n\u00e3o significativo<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>O modelo 1 n\u00e3o nos permite dizer o que quer que seja sobre o efeito pr\u00f3prio do sexo sobre a quest\u00e3o da inten\u00e7\u00e3o do retorno. Isto significa que as vari\u00e1veis associadas ao contexto familiar, nomeadamente o estatuto matrimonial (inclu\u00eddo no modelo) e o n\u00famero de filhos (exclu\u00eddo precisamente por n\u00e3o apresentar nenhum efeito aparente), contrariamente \u00e0s ideias do senso comum, n\u00e3o influenciam em nada a inten\u00e7\u00e3o de retorno das mulheres em rela\u00e7\u00e3o aos homens. J\u00e1 no conjunto dos imigrantes o estatuto matrimonial parece influenciar nessa inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O efeito pr\u00f3prio do sexo na inten\u00e7\u00e3o do retorno come\u00e7a a ser significativo quando acrescentamos ao modelo 1 as categorias socioprofissionais. Assim, com o modelo 2 constatamos que o risco de uma inten\u00e7\u00e3o positiva de retorno no momento do inqu\u00e9rito \u00e9 1,3 vezes inferior (isto \u00e9 1\/0,78) nas mulheres imigrantes em Fran\u00e7a do que nos homens nas mesmas condi\u00e7\u00f5es (tendo as vari\u00e1veis -caracter\u00edsticas socioprofissionais e estatuto matrimonial- sido mantidas constantes).<\/p>\n<p>O terceiro modelo<a title=\"\" href=\"#_ftn25\">[25]<\/a>, o mais completo, mostra que a conjuga\u00e7\u00e3o das vari\u00e1veis associadas ao contexto familiar, profissional e migrat\u00f3rio (mantidas constantes), mant\u00e9m o efeito pr\u00f3prio da vari\u00e1vel sexo muito significativo. Neste sentido, podemos sublinhar o facto de que a probabilidade das mulheres imigrantes intencionarem o retorno \u00e9 sempre inferior \u00e0 dos homens (isto \u00e9 cerca de 1,4 pontos).<\/p>\n<p>A partir deste terceiro modelo, podemos igualmente constatar que grande parte das modalidades associadas ao processo migrat\u00f3rio introduzidas no modelo t\u00eam um efeito pr\u00f3prio extrememente significativo. Assim, cada uma das modalidades da vari\u00e1vel estatuto de alojamento tem um risco relativo de intencionar o retorno que \u00e9 acrescido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modalidade de refer\u00eancia \u2013 ser propriet\u00e1rio de um alojamento em Fran\u00e7a. Da mesma maneira, o risco relativo de intencionar o retorno \u00e9 acrescido 1,75 pontos para os imigrantes portugueses que chegaram a Fran\u00e7a depois de 1975 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles que chegaram entre 1965 e 1974. Tendo em conta que nenhuma significa\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada ao coeficiente de regress\u00e3o daqueles que chegaram a Fran\u00e7a antes de 1965, n\u00e3o poderemos concluir que a data de chegada a Fran\u00e7a tem uma rela\u00e7\u00e3o causal com as inten\u00e7\u00f5es de retorno.<\/p>\n<p>Notamos, por outro lado, que a vari\u00e1vel de transmiss\u00e3o da l\u00edngua aos filhos tem um efeito significativo na vari\u00e1vel dependente de inten\u00e7\u00e3o de retorno. Para aqueles que apenas transmitem o franc\u00eas ou que comunicam de maneira bilingue com os seus filhos, o risco relativo de intencionar o retorno \u00e9 reduzido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 categoria de refer\u00eancia, ou seja aqueles que apenas transmitem o franc\u00eas ocasionalmente (respectivamente de 6,25 e de 1,78 pontos inferiores).<\/p>\n<p>Por fim, a realiza\u00e7\u00e3o de uma regress\u00e3o log\u00edstica (n\u00e3o apresentada neste artigo) apenas com as mulheres imigrantes portuguesas e com as mesmas vari\u00e1veis da regress\u00e3o log\u00edstica precedente conduz-nos a resultados globalmente similares \u00e0queles que acab\u00e1mos de sublinhar nos dois \u00faltimos par\u00e1grafos. Apenas a vari\u00e1vel do per\u00edodo de chegada em Fran\u00e7a fornece um resultado diferente, permitindo-nos confirmar a hip\u00f3tese invalidada at\u00e9 aqui, segundo a qual a inten\u00e7\u00e3o de retorno das imigrantes acresce para aquelas que chegaram a Fran\u00e7a depois de 1974 e reduz para aquelas que chegaram antes de 1965 (respectivamente 1,5 superior [p<.001] e 1,6 inferior [P>.01]. Podemos, portanto, concluir, tendo todas as caracter\u00edsticas introduzidas no modelo sido mantidas constantes, que a data de chegada a Fran\u00e7a acresce ou reduz a probabilidade das inten\u00e7\u00f5es de retorno.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>O impacto da migra\u00e7\u00e3o: estatuto paradoxal<\/b><\/p>\n<p>Muitos dos investigadores que constru\u00edram o seu objecto de estudo em torno das mulheres imigrantes evidenciaram as estrat\u00e9gias que estas desenvolviam em situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria. Desde a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de contra-poder at\u00e9 \u00e0s pr\u00e1ticas de resist\u00eancia, uma das quest\u00f5es centrais de todos estes trabalhos era demonstrar a exist\u00eancia de um projecto de vida e de futuro, mesmo se elas tivessem emigrado no \u00e2mbito do reagrupamento familiar.<\/p>\n<p>Outros estudos demonstraram que a experi\u00eancia migrat\u00f3ria para algumas mulheres opera uma desestabiliza\u00e7\u00e3o no meio familiar, onde as rela\u00e7\u00f5es de sexo \u201ctradicionais\u201d s\u00e3o postas em quest\u00e3o ou mesmo invertidas. Este \u00e9 o caso da emigra\u00e7\u00e3o das mulheres da Rep\u00fablica Dominicana com destino a Madrid (Casas, 1997), das Filipinas em Paris (Moz\u00e8re, 2005), das Vietnamitas na B\u00e9lgica (Ghequi\u00e8re, 1996), ou ainda das imigrantes do Salvador em Los Angeles (Zentgraf, 2002). Estes estudos sublinham o facto que as rela\u00e7\u00f5es de sexo s\u00e3o postas em causa pelo estatuto\u00a0<i>ganha-p\u00e3o<\/i>\u00a0adquirido pelas mulheres em situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria. Elas tornam-se em certos casos o \u201cchefe de fam\u00edlia\u201d porque s\u00e3o a principal fonte econ\u00f3mica do lar. Sucederam-se outros trabalhos que mostraram a necessidade de analisar diferentemente a rela\u00e7\u00e3o \u00e0 actividade profissional segundo as popula\u00e7\u00f5es migrantes, como \u00e9 o das mulheres argelinas em Fran\u00e7a com o trabalho informal\u00a0 (Boulahabel, 1996)<a title=\"\" href=\"#_ftn26\">[26]<\/a>.<\/p>\n<p>Todos estes trabalhos emp\u00edricos mostram que a presen\u00e7a das mulheres no mercado de trabalho (\u201cformal\u201d ou \u201cinformal\u201d) torna poss\u00edvel, no \u00e2mbito da experi\u00eancia migrat\u00f3ria, uma autonomia econ\u00f3mica,\u00a0 mas tamb\u00e9m uma tomada de consci\u00eancia de uma \u201cidentidade sexuada\u201d. Esta autonomia, reconhecida socialmente, proporciona a estas mulheres a ideia de resist\u00eancia \u00e0s evid\u00eancias de uma imagem que outros lhes inflingem.<\/p>\n<p>Nesta pespectiva, podemos-nos dar conta que a adapta\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds de instala\u00e7\u00e3o constr\u00f3i-se pelas capacidades de ac\u00e7\u00e3o e de reinterpreta\u00e7\u00e3o da cultura de origem no seio da sociedade onde estas mulheres se instalaram. Uma das contribui\u00e7\u00f5es deste artigo vai precisamente neste sentido, fazendo emergir novos elementos e renovando outros sobre as imigrantes portuguesas em Fran\u00e7a. O estudo dos percursos migrat\u00f3rios, centrado em concreto no contexto profissional e familiar destas mulheres, possibilitou a focaliza\u00e7\u00e3o sobre a maneira segunda a qual esta popula\u00e7\u00e3o reconstr\u00f3i os seus quadros de intera\u00e7\u00e3o social na sociedade de instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dados do inqu\u00e9rito EHF 1999 evidenciou a posi\u00e7\u00e3o que as mulheres portuguesas ocupam no espa\u00e7o franc\u00eas. Para chegar a este resultado foi necess\u00e1rio recorrer em todo o processo de explora\u00e7\u00e3o dos dados a dois indicadores principais de an\u00e1lise: o sexo e o pa\u00eds de nascimento. Constat\u00e1mos que tanto os homens como as mulheres participaram nos fluxos migrat\u00f3rios de massa de Portugal para a Fran\u00e7a nos anos sessenta e setenta. Comummente vistas como esposas dos imigrantes trabalhadores, as imigrantes portuguesas t\u00eam um papel id\u00eantico aos homens em todos os aspectos relacionados com o movimento migrat\u00f3rio. \u00c9 prov\u00e1vel que este ponto de vista n\u00e3o seja enfatizado a n\u00e3o ser atrav\u00e9s de um estudo baseado numa leitura de g\u00e9nero das migra\u00e7\u00f5es internacionais, onde as mulheres n\u00e3o s\u00e3o consideradas como objecto isolado mas como actrizes sociais do processo migrat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A entrada maci\u00e7a das mulheres portuguesas no mercado de trabalho franc\u00eas \u00e9 sem d\u00favida associada tanto \u00e0s especificidades sociohist\u00f3ricas da sociedade de origem como a uma forma de adapta\u00e7\u00e3o a um sistema social centrado no estatuto do trabalhador na sociedade francesa. Observ\u00e1mos que as imigrantes portuguesas e as mulheres nascidas em Fran\u00e7a det\u00eam taxas de actividade profissional no momento do inqu\u00e9rito equivalentes e bastante superiores a outras popula\u00e7\u00f5es. Quase tr\u00eas quartos destas mulheres declaram ter uma actividade profissional na idade compreendida entre 25 e 49 anos, considerada como o per\u00edodo da maternidade. Esta taxa mostra que domina o modelo de actividade cont\u00ednua. Para os dois grupos de mulheres a maternidade j\u00e1 n\u00e3o revela ser um constrangimento extremo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 actividade profissional. Mas estas semelhan\u00e7as n\u00e3o devem ocultar certas informa\u00e7\u00f5es. As regress\u00f5es log\u00edsticas efectuadas mostraram que a propens\u00e3o para a actividade profissional das imigrantes portuguesas \u00e9 inferior \u00e0 das mulheres nascidas em Fran\u00e7a se as compararmos em situa\u00e7\u00e3o id\u00eantica. Por\u00e9m, este rac\u00edocinio estat\u00edstico n\u00e3o nos elucidou sobre as caracter\u00edsticas que poderiam influenciar ou n\u00e3o a entrada das imigrantes portuguesas no mercado de trabalho franc\u00eas.<\/p>\n<p>O papel da fam\u00edlia para as mulheres portuguesas parece ser importante para compreender o lugar que elas ocupam no seio da sociedade francesa, visto que a maior parte delas vivem em casal (um \u00fanico casamento com um c\u00f4njuge nascido em Portugal) com filhos (dois). Reconhecemos os limites dos dados do inqu\u00e9rito EHF para estudar os desafios de g\u00e9nero que se criam no interior destas fam\u00edlias, pois n\u00e3o tivemos acesso a indicadores suscept\u00edveis de nos informar sobre a partilha de tarefas dom\u00e9sticas entre homens e mulheres, os seus hor\u00e1rios, a coes\u00e3o conjugal, ou seja, sobre o contexto de cohabita\u00e7\u00e3o. Apesar destes limites, a nossa an\u00e1lise revelou que os imigrantes portugueses maiores de 18 anos, mulheres e homens, t\u00eam um percurso familiar de que emergem tra\u00e7os de atribui\u00e7\u00e3o de uma grande import\u00e2ncia ao vector familiar. Por outro lado, os indicadores da hist\u00f3ria familiar permitiram identificar atitudes e orienta\u00e7\u00f5es que fazem do espa\u00e7o familiar um espa\u00e7o onde se conjugam formas de interac\u00e7\u00e3o e de negocia\u00e7\u00f5es talvez menos contaminadas por rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o subjacentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher e de migrante. Num contexto de migra\u00e7\u00f5es, onde os quadros de interac\u00e7\u00e3o social se encontram desestabilizados \u00e0 entrada na nova sociedade de instala\u00e7\u00e3o e onde a necessidade de (re)estabiliza\u00e7\u00e3o se torna imperativa, pareceu-nos poss\u00edvel que o n\u00facleo familiar para estas mulheres seja prop\u00edcio \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o de modelos familiares, talvez mais contratuais.<\/p>\n<p>Da mesma maneira, a acumula\u00e7\u00e3o de uma vida familiar com a aquisi\u00e7\u00e3o de uma actividade remunerada sugere que esta articula\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja feita de maneira aleat\u00f3ria. Ela decorre de uma organiza\u00e7\u00e3o familiar no m\u00ednimo coerente e da exist\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es sociais fora do n\u00facleo familiar. A fam\u00edlia n\u00e3o constitui a \u00fanica entidade que interv\u00e9m nas traject\u00f3rias destas mulheres, mas pode ser que seja tamb\u00e9m atrav\u00e9s dela que se engendram novas vias de investimento p\u00fablico. Esta perspectiva remete-nos \u00e0 conjuga\u00e7\u00e3o das teorias de Singly e de Sciolla. Tanto uma como outra explicitam o funcionamento da organiza\u00e7\u00e3o familiar em termos horizontais, onde cada um dos elementos da fam\u00edlia manifestaria a identidade pessoal do outro e onde o n\u00facleo familiar n\u00e3o seria contradit\u00f3rio com as formas de cidadania na esfera p\u00fablica.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do recurso a formas de emprego espec\u00edfico, todos os dados sa\u00eddos do inqu\u00e9rito EHF de 1999 testemunham que a entrada maci\u00e7a das imigrantes portuguesas no mercado de trabalho franc\u00eas se opera pelo interm\u00e9dio de empregos bastante segmentados em termos sexuais e encontrando-se na cauda da hierarquia socioprofissional, na maior parte situando-se na categoria de\u00a0<i>Pessoal de servi\u00e7os directos a particulares<\/i>.<\/p>\n<p>Quando falamos de uma popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria temos tend\u00eancia a associ\u00e1-la a um conjunto homog\u00e9neo, qui\u00e7\u00e1 com um destino id\u00eantico. A utiliza\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o que nos indica as inten\u00e7\u00f5es de retorno desta popula\u00e7\u00e3o possibilitou-nos a contru\u00e7\u00e3o de um panorama complexo deste \u201cdestino\u201d. Sem negligenciar o facto que estas inten\u00e7\u00f5es podem ser transformadas ao longo do tempo e sem querer reproduzir uma indissociabilidade entre os migrantes e o retorno obrigat\u00f3rio \u00e0s \u201cra\u00edzes\u201d, este indicador revelou-se bastante \u00fatil para a compreens\u00e3o do processo migrat\u00f3rio destas mulheres.\u00a0 Os testes estat\u00edsticos mostraram que a inten\u00e7\u00e3o de retorno \u00e9 inferior \u00e0 dos homens em situa\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel, menos devido ao contexto familiar (como muitas vezes \u00e9 avan\u00e7ado pelo senso comum) do que aos factores migrat\u00f3rios.<\/p>\n<p>As compara\u00e7\u00f5es que pudemos efectuar ao longo deste estudo operacionalizam a articula\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os distintivos de sexo e origem geogr\u00e1fica, permitindo situar o percurso das imigrantes portuguesas no contexto franc\u00eas. Estas compara\u00e7\u00f5es clarificaram os mecanismos das rela\u00e7\u00f5es sociais de g\u00e9nero, de classe e de origem geogr\u00e1fica. Num momento onde o emprego \u00e9 valorizado e d\u00e1 valor \u00e0s imigrantes, uma vez que instiga a ultrapassar uma marginalidade constru\u00edda em torno do imigrante trabalhador, estas mulheres v\u00eaem-se associadas ao termo \u201cservi\u00e7os\u201d e \u00ab\u00a0qu\u2019on le veuille ou non, [ce mot] fait \u00e9cho, dans l\u2019imaginaire collectif, soit au service religieux et au b\u00e9n\u00e9volat, soit \u00e0 la servilit\u00e9\u00a0\u00bb (Angeloff\u00a0<i>in\u00a0<\/i>Maruani (dir), 2005\u00a0:281). Os principais indicadores deste estudo, relacionados com o contexto familiar e profissional em situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria mostram, portanto, que a integra\u00e7\u00e3o social das imigrantes portuguesas em Fran\u00e7a \u00e9 uma realidade que se desenvolve sem d\u00favida de uma maneira paradoxal.<\/p>\n<p>O complemento qualitativo a esta an\u00e1lisa quantitativa impulsionaria a compreens\u00e3o sobre as formas como estas mulheres percepcionam, no quotidiano, o paradoxo da sua posi\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria. Sublinhamos por fim e a partir dos dados deste artigo a import\u00e2ncia de apreender sociologicamente a feminiza\u00e7\u00e3o do movimento migrat\u00f3rio com um olhar focalizado na associa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais de sexo, classe e lugar de origem, na medida que a posi\u00e7\u00e3o ocupada no seio destas rela\u00e7\u00f5es interconectadas influencia as percep\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas indiv\u00edduais.<\/p>\n<p><b>Bibliografia<\/b><\/p>\n<p>Almeida,<b>\u00a0<\/b>Miguel Vale de. 1995.\u00a0<i>Senhores de Si: uma interpreta\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica da masculinidade<\/i>. Lisboa: Fim de S\u00e9culo.<\/p>\n<p>Bentchicou, Nadia. 1997.\u00a0<i>Les femmes de l\u2019immigration au quotidien<\/i>. Paris\u00a0: L\u2019Harmattant.<\/p>\n<p>Boulahabel, Yeza.1996. 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Paris\u00a0: Commissariat G\u00e9n\u00e9ral du Plan.\u00a0<a href=\"http:\/\/alex.espace-competences.org\/GEIDEFile\/int%5Fgration_march%5F_du_travail.PDF?Archive=191142491932&#038;File=int%E9gration+march%E9+du+travail_PDF\">http:\/\/alex.espace-competences.org\/GEIDEFile\/int%C5%BDgration_march%C5%BD_du_travail.PDF?Archive=191142491932&#038;File=int%E9gration+march%E9+du+travail_PDF<\/a>\u00a0(Maio 2006)<\/p>\n<p>Leandro, Maria Engr\u00e1cia. 1995.\u00a0<i>Familles portugaises: projets et destins<\/i>. Paris\u00a0: L\u2019Harmattan.<\/p>\n<p>INSEE. 2001.\u00a0<i>Recensement de la population de 1999\u00a0<\/i><b>&#8211;\u00a0<\/b><i>Tableaux th\u00e9matiques, exploitation compl\u00e9mentaire. Population immigr\u00e9e, Population \u00e9trang\u00e8re<\/i>.<i><\/i><\/p>\n<p>Maruani, Margaret. 2003.\u00a0<i>Travail et emploi des femmes<\/i>. Paris\u00a0: La D\u00e9couverte.<\/p>\n<p>_ (org.). 2005.\u00a0<i>Femmes, genre et soci\u00e9t\u00e9s<\/i>.<i>\u00a0<\/i>Paris\u00a0: La D\u00e9couverte.<\/p>\n<p>Marshall, Thomas H.. 1950.\u00a0<i>Citizenship and social class<\/i>. Cambridge\u00a0: Cambridge University Press.<\/p>\n<p>Menjivar, Cecilia. 2002. Immigrant women and domestic violence: Common experience in different contries.\u00a0<i>Gender and society<\/i>, vol. 16, n\u00b06, p.898-920.<\/p>\n<p>Monteiro, Paulo Filipe. 1993. Emigra\u00e7\u00e3o: O eterno mito do retorno. Oeiras: Celta.<\/p>\n<p>Morokvasic, Mirjana. 1984. Birds of passage are also women.\u00a0<i>International Migration Review<\/i>, vol. 18, n\u00b04 (n\u00famero especial), p.886-907.<\/p>\n<p>Moz\u00e8re, Liane. 2005.\u00a0Des domestiques philippines \u00e0 Paris.\u00a0<i>Migrations, soci\u00e9t\u00e9<\/i>, mai -ao\u00fbt, vol.17, n\u00b099-100, p. 217-228.<\/p>\n<p>Peixoto, Jo\u00e3o.1993. Migra\u00e7\u00f5es e Mobilidade. 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Bolonha: Il Mulino.\u00a0<i>\u00a0\u00a0<\/i><\/p>\n<p>Singly, Fran\u00e7ois de. 2000.\u00a0<i>Libres ensemble: l\u2019individualisme dans la vie comune<\/i>. Paris\u00a0: Nathan.<\/p>\n<p>_ .2006. Le d\u00e9doublement de la vie priv\u00e9e. In Molenat, Xavier (ed).\u00a0<i>L\u2019individu contemporain<\/i>. Paris\u00a0: Sciences humaines.<\/p>\n<p>Spire, Alexis. 1999. De l\u2019\u00e9tranger \u00e0 l\u2019immigr\u00e9\u00a0: La magie sociale d\u2019une cat\u00e9gorie statistique.<i>\u00a0Actes de la recherche en sciences sociales<\/i>, n\u00b0129, p.50-56.<\/p>\n<p>Tribalat, Mich\u00e8le. 1995.\u00a0<i>Faire France<\/i>. Paris\u00a0: La D\u00e9couverte.<\/p>\n<p>_ . 1996.\u00a0<i>De l\u2019immigration \u00e0 l\u2019assimilation\u00a0: Enqu\u00eate sur les populations d\u2019origine \u00e9trang\u00e8re en France<\/i>. Paris\u00a0: INED-<i>\u00a0<\/i>La d\u00e9couverte.<\/p>\n<p>Viegas, Jos\u00e9, Costa, Ant\u00f3nio. (orgs.). 1998.\u00a0<i>Portugal, que modernidade?<\/i>. Oeiras: Celta.\u00a0<i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p>Volovitch-Tavares, M. Christine. 2001.\u00a0<i>Les phases de l&rsquo;immigration portugaise, des ann\u00e9es vingt aux ann\u00e9es soixante-dix<\/i>.\u00a0<a href=\"http:\/\/barthes.ens.fr\/clio\/revues\/AHI\/articles\/volumes\/volovitch.html\">http:\/\/barthes.ens.fr\/clio\/revues\/AHI\/articles\/volumes\/volovitch.html<\/a>\u00a0<i>\u00a0<\/i>(fevereiro 2006).<\/p>\n<p>Volovitch-Tavares, M. Christine.1999. L\u2019\u00e9glise de France et l\u2019accueil des immigr\u00e9s portugais (1960-1975).\u00a0<i>Le Mouvement Social<\/i>, n\u00b0188, p.89-101.<\/p>\n<p>Wall, Karin (org.). 2005.\u00a0<i>Fam\u00edlias em Portugal<\/i>. Lisboa\u00a0: ICS.<\/p>\n<p>Zentgraf, Kristine. 2002. Immigration and women\u2019s empowerment\u00a0: Salvadorans in Los Angeles.\u00a0<i>Gender and Society<\/i>, vol.16, n\u00b05, p.625-646.<\/p>\n<div>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[1]<\/a>\u00a0Dada a natureza da fonte analisada, a maior parte destes migrantes devem ser do tipo permanente, isto \u00e9, aqueles que t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de ficar em Fran\u00e7a mais de um ano. Com a aboli\u00e7\u00e3o do \u201cpassaporte emigrante\u201d em 1988 as sa\u00eddas de Portugal (tempor\u00e1rias ou permanentes) deixaram de poder ser contabilizadas. A esta dificuldade de contabiliza\u00e7\u00e3o veio se juntar posteriormente a livre circula\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos no seio da Uni\u00e3o Europeia estipulada pela Conven\u00e7\u00e3o de Schengen em 1995.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[2]<\/a><i>\u00a0<\/i>Institut National de la Statistique et des \u00c9tudes \u00c9conomiques (INSEE) e Institut National des \u00c9tudes D\u00e9mographiques (INED).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[3]<\/a>\u00a0No \u00e2mbito do Recenseamento da Popula\u00e7\u00e3o de 1999, o buletim complementar EHF (4 p\u00e1ginas) foi preenchido por 380\u00a0000 indiv\u00edduos maiores de 18 anos: 145\u00a0000 homens e 235\u00a0000 mulheres. Neste sentido, os agentes recenseadores distribuiram a um lar em cinquenta o question\u00e1rio complementar EHF (buletim suplementar auto-administrado). Destes buletins, 368\u00a0000 puderam ser emparelhados aos dados do Recenseamento da Popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[4]<\/a>\u00a0Sistema visto ao mesmo tempo como espa\u00e7o geogr\u00e1fico, politicamente definido e como espa\u00e7o culturalmente determinado (no sentido antropol\u00f3gico do termo).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[5]<\/a>\u00a0Esta defini\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>Haut Conseil \u00e0 l\u2019Int\u00e9gration<\/i>\u00a0aparece em 1990, com o objectivo, por um lado, de especificar a categoria de imigrantes segundo as condi\u00e7\u00f5es de aplica\u00e7\u00e3o do \u201cmodelo franc\u00eas de integra\u00e7\u00e3o\u201d, e por outro, de disp\u00f4r de um utens\u00edlio suscept\u00edvel de medir a \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d. O crit\u00e9rio de lugar de nascimento \u00e9 utilizado, neste contexto, numa perspectiva mais de integra\u00e7\u00e3o do que demogr\u00e1fica (Spire, 1999\u00a0: 54).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[6]<\/a>\u00a0\u00c9 importante sublinhar que houve uma mudan\u00e7a na categoria de estrangeiros\u00a0: enquanto que os valores do Recenseamento da Popula\u00e7\u00e3o que vai do ano 1975 ao ano 1990 t\u00eam em conta os portugueses mononacionais (podendo ter nascido em Portugal ou em Fran\u00e7a), os valores do Recenseamento da Popula\u00e7\u00e3o de 1999 t\u00eam apenas em conta aqueles que nasceram em Portugal, podendo ter adquirido posteriormente a dupla nacionalidade.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[7]<\/a>\u00a0Inqu\u00e9rito\u00a0: \u00ab\u00a0Mobilit\u00e9 G\u00e9ographique et Insertion Professionnelle\u00a0\u00bb.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[8]<\/a>\u00a0Outras cr\u00edticas dizem respeito ao seu \u201ceuropocentrismo\u201d, qui\u00e7\u00e1 ao facto de se aplicar apenas ao Reino Unido (a sequ\u00eancia hist\u00f3rica da obten\u00e7\u00e3o dos diferentes direitos depende do pa\u00eds no qual nos interessamos). Por outro lado, a sua percep\u00e7\u00e3o linear da hist\u00f3ria foi igualmente alvo de cr\u00edticas\u00a0: o processo de aquisi\u00e7\u00e3o dos direitos parece ter sido feito \u201cnaturalmente\u201d, Marshall n\u00e3o teve em conta as lutas que foram necess\u00e1rias para os obter (Del Re, 1994).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[9]<\/a>\u00a0O objectivo que tem por base a igualdade entre homens e mulheres, por exemplo, s\u00f3 se tornou uma prioridade a partir de um longo processo de desconstru\u00e7\u00e3o e de ilegitima\u00e7\u00e3o da ordem masculina e patriarcal. Esta prioridade foi bastante tempo julgada como secund\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s desigualdades econ\u00f3micas e sociais em termos de classes, tanto no palco pol\u00edtico como no debate p\u00fablico.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[10]<\/a>\u00a0Nesta sec\u00e7\u00e3o, o intervalo de idade utilizado depende das informa\u00e7\u00f5es a recolher. Geralmente realizaremos uma triagem da amostra, nomeadamente as mulheres que t\u00eam idade igual ou inferior a 59 ou 69 anos, na medida em que os comportamentos socioprofissionais das mulheres imigrantes de Portugal poderiam ser maximizados artificialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o autoctone.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[11]<\/a>A classe de 25 a 49 anos \u00e9 considerada como a idade da maternidade (Maruani, 2003\u00a0:15).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[12]<\/a>Quando observamos a percentagem de mulheres em actividade profissional no momento do inqu\u00e9rito segundo a faxa et\u00e1ria (18-24, 25-29, 30-34 at\u00e9 55-59 anos), damo-nos conta de que enquanto as mulheres nascidas em Fran\u00e7a atingem a sua taxa de actividade mais elevada de 40 a 44 anos (75,7%), as mulheres nascidas em Portugal atingem o seu m\u00e1ximo no intervalo de 45 a 50 anos (80%).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[13]<\/a>Segundo Eurostat (Inqu\u00e9rito sobre a For\u00e7a de trabalho) a taxa de desemprego feminino em 2000 em Fran\u00e7a era de 11,5% (<i>in\u00a0<\/i>Maruani, 2003\u00a0:56).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[14]<\/a>Segundo Marchand e Th\u00e9lot (1991), \u00ab\u00a0\u00e0 partir de 1880, diminuent et puis disparaissent les domestiques hommes. L\u2019apog\u00e9e de la domesticit\u00e9 en France date du d\u00e9but de la 3<sup>\u00e8me<\/sup>\u00a0R\u00e9publique. A la veille de la guerre de 1914-1918, presque tous les domestiques sont des hommes\u00a0\u00bb (p.15).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[15]<\/a>\u00a0Com o intento de homogeneiza\u00e7\u00e3o dos testes emp\u00edricos, as regress\u00f5es log\u00edsticas desta sec\u00e7\u00e3o foram todas efectuadas com uma mesma amostra. Trabalhamos assim com uma popula\u00e7\u00e3o de 148\u00a0304 mulheres com idade compreendida entre 20 e 59 anos. Entre estas encontram-se 146 417 mulheres nascidas em Fran\u00e7a e 1\u00a0887 mulheres nascidas em Portugal instaladas em Fran\u00e7a. Antes de se ter seleccionado exclusivamente as mulheres com idade compreendida entre os 20 e 59 anos, o n\u00famero total de mulheres nascidas em Fran\u00e7a e em Portugal no inqu\u00e9rito EHF de 1999 era de 214 989 (respectivamente 212 840 e 2149 mulheres). Opt\u00e1mos, por outro lado, por conservar certos valores em falta com o objectivo de n\u00e3o perder muitos efectivos e por isso informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[16]<\/a>Para evitar uma situa\u00e7\u00e3o de coliniaridade estrita, uma modalidade de refer\u00eancia foi deliberadamente distinguida no modelo de regress\u00e3o. Para isso seleccion\u00e1mos a moda de cada vari\u00e1vel.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[17]<\/a>Os riscos relativos s\u00e3o estimados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modalidade de refer\u00eancia. Um valor superior a 1 indica um risco relativo positivo, um valor inferior a 1 ser\u00e1 negativo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[18]<\/a>Temos aqui tr\u00eas modelos \u201cemparelhados\u201d, cada um em rela\u00e7\u00e3o ao precedente representa uma melhoria da modeliza\u00e7\u00e3o estat\u00edstica. Exptuando o modelo 1, o quadro de regress\u00e3o log\u00edstica realizado indica que os dois \u00faltimos modelos utilizados possuem boas qualidades porque o X<sup>2<\/sup>\u00a0(modelo\u00a0<i>chi-square<\/i>) de cada modelo (permitindo apreciar a contribui\u00e7\u00e3o do modelo explicativo da vari\u00e1vel dependente), s\u00e3o muito significativos em cada caso.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[19]<\/a>\u00a0Segundo de Singly (1996) a fam\u00edlia contempor\u00e2nea caracteriza-se \u00ab\u00a0moins comme une institution que comme espace de relations affectives, personnelles et (assez) durables\u00a0\u00bb (p.14).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[20]<\/a>\u00a0Neste cap\u00edtulo, chamaremos cruzamento homogamo quando dois conj\u00fbges s\u00e3o nascidos num mesmo pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[21]<\/a>\u00a0Segundo Tribalat, estudar a propens\u00e3o \u00e0 uni\u00e3o mista das mulheres imigrantes em Fran\u00e7a n\u00e3o tem sentido a n\u00e3o ser para aquelas que emigraram para Fran\u00e7a ainda solteiras. No entanto, o inqu\u00e9rito EHF n\u00e3o nos d\u00e1 acesso a esse tipo de informa\u00e7\u00f5es, ou melhor, n\u00e3o temos acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o do estado civil no momento da chegada. De toda a maneira, os dados do MGIS indicam que \u00e9 apenas nas migrantes nascidas em Portugal e chegadas antes dos seus 16 anos que a uni\u00e3o mista \u00e9 mais elevada do que nas solteiras chegadas depois de 15 anos (Tribalat, 1996\u00a0:86). O enviezamento desta quest\u00e3o parece ser de pouca relev\u00e2ncia no caso das mulheres nascidas em Portugal!<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[22]<\/a>\u00a0A op\u00e7\u00e3o de apresentar exclusivamente estes pa\u00edses est\u00e1 associada ao facto deles n\u00e3o estarem reagrupados nas categorias como \u201coutro em \u00c1frica\u201dou \u201coutro na \u00c1sia\u201d. Por outro lado, nas uni\u00f5es mistas, apenas fazemos refer\u00eancia \u00e0s mulheres casadas com um indiv\u00edduo nascido em Fran\u00e7a pois as uni\u00f5es com homens nascidos noutros pa\u00edses mostravam valores residuais.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[23]<\/a>\u00a0Com o intento de homogeneiza\u00e7\u00e3o dos testes emp\u00edricos, as regress\u00f5es log\u00edsticas desta sec\u00e7\u00e3o foram todas efectuadas com uma mesma amostra. Trabalhamos com uma popula\u00e7\u00e3o de 3\u00a0499 imigrantes portugueses em Fran\u00e7a com mais de 18 anos. Entre estes encontram-se 2149 mulheres e 1350 homens. As mulheres e os homens s\u00e3o inclu\u00eddos na mesma an\u00e1lise o que nos permite de avaliar o efeito pr\u00f3prio do sexo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[24]<\/a>\u00a0Cf. nota de roda-p\u00e9 n\u00famero 6.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[25]<\/a>\u00a0O X<sup>2<\/sup>\u00a0de cada um dos tr\u00eas modelos s\u00e3o muito significativos. A acumula\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis a cada modelo melhora a qualidade do modelo em rela\u00e7\u00e3o ao anterior.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref\">[26]<\/a>\u00c9 tamb\u00e9m importante salientar a exist\u00eancia de outros estudos que mostram que as mulheres em contexto migrat\u00f3rio s\u00e3o posicionadas numa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade,\u00a0<i>qui\u00e7a\u00a0<\/i>numa posi\u00e7\u00e3o onde se encontram vulner\u00e1veis a diversas viol\u00eancias, tanto na esfera privada como p\u00fablica (Menjivar, 2002:906; Morokvasic, 1984:893).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--:--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A emigra\u00e7\u00e3o portuguesa em massa com destino a Fran\u00e7a faz parte do passado. No entanto, continua a existir uma forte presen\u00e7a portuguesa em Fran\u00e7a associada ao grande fluxo migrat\u00f3rio dos anos sessenta e setenta. Por outro lado, n\u00e3o podemos descurar o facto que durante os \u00faltimos trinta anos a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para Fran\u00e7a nunca se &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/?p=535\" class=\"more-link\">Continuer la lecture<span class=\"screen-reader-text\"> de &laquo;&nbsp;<!--:pt-->In\u00eas Esp\u00edrito Santo Entre traject\u00f3rias profissionais e contextos familiares: mulheres portuguesas em Fran\u00e7a .   <!--:-->&nbsp;&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[17,29],"tags":[45,66,70],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/535"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/535\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.memoria-viva.fr\/mv2-archives\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}